
Miguel Medina/Reuters – 30.06.2026
O número de vítimas fatais em decorrência dos dois terremotos que abalaram a Venezuela na semana passada atingiu 2.295 pessoas, de acordo com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
O mandatário também relatou que milhares de indivíduos ficaram feridos e muitos perderam suas residências em consequência dos abalos sísmicos, conforme comunicado em rede de televisão estatal nesta quarta-feira (1).
Enquanto as autoridades oficiais buscam controlar a narrativa, atribuindo a insatisfação popular a desinformação e manipulações em redes sociais, cidadãos como Alexander Delgado, professor de educação física, lideram esforços de resgate independentes.
Delgado, auxiliado por voluntários locais e de outras regiões, trabalha incansavelmente nos escombros de um conjunto habitacional público no Estado de Aragua, na busca por sobreviventes e vítimas. Estes grupos, muitas vezes equipados apenas com ferramentas rudimentares e suas próprias mãos, buscam suprir o que percebem como uma resposta governamental insuficiente e lenta aos eventos.
Relatos indicam que alguns membros das forças de segurança e policiais estariam obstruindo a chegada de ajuda, desviando doações e até mesmo saqueando prédios danificados. Em contrapartida, o governo venezuelano, por meio do Ministério das Comunicações, nega veementemente tais acusações, classificando-as como estratégias de manipulação.
Delgado, que viajou para La Guaira, o estado mais afetado, para auxiliar nos resgates, expressou a ausência do Estado nas operações, destacando a presença de bombeiros e equipes internacionais como a mexicana “Los Topos”, mas lamentando a falta de equipamento pesado e a presença limitada de forças oficiais.
A resposta a esta tragédia ocorre em um momento delicado para a política venezuelana, com a presidente interina Delcy Rodríguez buscando consolidar seu poder, em um cenário que, segundo Jimmy Story, ex-embaixador dos EUA na Venezuela, reflete um padrão de controle de narrativa e atribuição de responsabilidades por parte do governo.
Com informações de: R-7
