
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou na terça-feira (26) o início de um projeto-piloto no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre (RS), para testar o uso da semaglutida sintética brasileira, chamada Ozivy, na rede pública de saúde. A medicação, aprovada pela Anvisa, será avaliada no tratamento de obesidade, diabetes e doenças cardíacas, com o objetivo de reduzir a demanda por cirurgias bariátricas. Os testes devem começar em breve e buscam verificar a eficácia da substância nos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Padilha, o estudo também analisará a logística de armazenamento do medicamento nas residências dos pacientes. O ministro destacou que a oferta do Ozivy pode aliviar a pressão sobre as filas de cirurgia bariátrica. “Tenho a esperança de que essa medicação possa ser usada por pessoas que aguardam na fila para reduzir a demanda”, afirmou. Além disso, ele ressaltou que a produção nacional garante segurança no fornecimento, mesmo em crises globais, como guerras ou pandemias.
Padilha ainda enfatizou que a competição entre fabricantes pode resultar em preços mais acessíveis e na geração de empregos. “Quanto maior a concorrência, menor será o custo do medicamento, tornando-o sustentável para o SUS e benéfico para a população”, declarou. Antes de ser distribuído pelo SUS, o Ozivy precisa ser avaliado pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) e aprovado pelo Ministério da Saúde.
O Ozivy é a primeira caneta de semaglutida sintética produzida no Brasil e foi aprovada pela Anvisa em 26 de março. Embora compartilhe o mesmo princípio ativo do Ozempic, não é um genérico, mas um análogo sintético. A produção só foi possível após a queda da patente do medicamento dinamarquês no Brasil, em 20 de março de 2024. O registro foi solicitado pela EMS/SA em 2023 e já passou por análises técnicas de eficácia, segurança e qualidade. Inicialmente, será indicado para adultos com diabetes tipo 2 não controlada. A comercialização, no entanto, depende da definição do preço máximo pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).
Com informações de: R-7
