Silvio Mendes evita debate eleitoral e foca na crise da gestão

O prefeito de Teresina, Silvio Mendes, evitou entrar no debate eleitoral e afirmou que sua prioridade é a administração da capital, em meio a críticas e problemas em áreas essenciais. A fala ocorre em um cenário de pressão sobre a gestão e sinaliza uma tentativa de deslocar o foco da política para a crise nos serviços públicos.

Durante a entrevista, o prefeito não tratou diretamente de candidaturas e chegou a negar envolvimento com campanhas. Nos bastidores, porém, a declaração foi interpretada como irônica, já que o posicionamento político do gestor é considerado conhecido no meio local, especialmente pelo alinhamento com o ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues. A estratégia, segundo essa leitura, seria evitar o desgaste do debate eleitoral e manter o discurso centrado na gestão.

Publicamente, Mendes sustenta que o momento exige reorganizar a prefeitura e recuperar a credibilidade da administração, hoje desgastada por falhas em serviços básicos. Ele reconhece que há críticas justificadas e afirma que a prioridade é dar respostas práticas à população.

Ao comentar a situação da gestão, o prefeito admitiu problemas acumulados e disse que não pretende se esquivar. A declaração reforça um tom de enfrentamento diante de um cenário considerado adverso.

O transporte público é apontado como um dos principais gargalos. Mendes classificou o sistema como um dos piores entre as capitais brasileiras e questionou a atuação das empresas responsáveis. Mesmo com o aumento do subsídio público, atualmente em torno de R$ 6 milhões mensais, houve redução da frota e nenhuma melhora perceptível no serviço.

Outro foco de desgaste envolve o “Transporte Eficiente”, voltado a pessoas com dificuldade de locomoção. Os ônibus, adquiridos com recursos públicos, foram repassados à iniciativa privada e, segundo o prefeito, acabaram sucateados. Após decisão judicial, os veículos foram retomados pelo município, que agora avalia assumir diretamente a operação e apurar possíveis responsabilidades.

Na área fiscal, Mendes afirmou que a prefeitura adotou medidas de contenção de gastos para reequilibrar as contas. Segundo ele, o município chegou a desembolsar cerca de R$ 1 milhão por dia com juros bancários. A meta é reorganizar as finanças e direcionar recursos para áreas prioritárias, como saúde, infraestrutura e habitação.

Sobre moradia, o prefeito citou um déficit estimado em cerca de 35 mil unidades em Teresina. A gestão aposta em parcerias com os governos estadual e federal para ampliar a oferta de habitações populares. A previsão é entregar aproximadamente 3.100 unidades, número ainda distante da demanda.

A situação da infraestrutura pública também foi mencionada. Unidades básicas de saúde, escolas e hospitais enfrentam problemas de manutenção, agravados pela desistência de empresas contratadas. Mendes citou casos como desabamento de forros em UBS e afirmou que novos contratos emergenciais estão sendo firmados. Ao mesmo tempo, questionou o descumprimento de contratos por parte de empresas, mesmo com pagamentos em dia.

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