
A indústria brasileira registrou um desempenho fraco em outubro e continua avançando sem força na reta final do ano. O ambiente interno segue marcado por juros elevados e limitações ao crédito, enquanto o cenário internacional adiciona pressões que dificultam a recuperação do setor.
Informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção industrial aumentou 0,1% em relação a setembro. O número ficou abaixo da estimativa de analistas consultados pela Reuters, que projetavam crescimento de 0,4%. Na comparação com outubro do ano anterior, houve queda de 0,5%, contrariando a expectativa de alta de 0,2%. Mesmo com oscilações pontuais, a atividade permanece 14,8% abaixo do pico registrado em maio de 2011.
O setor enfrenta as consequências de uma política monetária restritiva. Com a taxa Selic mantida em 15%, o crédito permanece caro para empresas, o que reduz investimentos e limita a expansão da produção. O Banco Central se reúne na próxima semana para definir a última decisão de política monetária de 2025, e o mercado espera que os juros permaneçam no mesmo patamar.
O gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, avalia que fatores como o aquecimento do mercado de trabalho, a elevação da renda e o aumento das exportações para a Argentina ajudam a equilibrar parte das dificuldades internas. Ele observa que, embora o crescimento de 0,1% coloque o setor no campo positivo, o desempenho se mantém praticamente estável há vários meses.
O contexto internacional também dificulta a reação da indústria brasileira. As tarifas impostas pelos Estados Unidos desde agosto reduziram a competitividade de produtos nacionais. Para o economista sênior do Inter, André Valério, o resultado de outubro mostra que o setor opera de forma moderada e que a indústria está entre as áreas mais expostas às restrições americanas. Ele afirma que o mercado dos Estados Unidos é um dos mais importantes para as exportações brasileiras e que a ausência de flexibilizações nas tarifas prejudica o desempenho.
O levantamento do IBGE aponta que 12 dos 25 ramos industriais pesquisados tiveram crescimento na comparação com setembro. As indústrias extrativas se destacaram ao registrar alta de 3,6%, impulsionadas pela maior produção de petróleo, minério de ferro e gás natural. Esse avanço compensou a perda acumulada de 1,7% nos meses de agosto e setembro.
Outros segmentos também contribuíram positivamente, entre eles produtos alimentícios, que cresceram 0,9%, veículos automotores, reboques e carrocerias, com aumento de 2%, e produtos químicos, que tiveram alta de 1,3%.
Em sentido oposto, a produção recuou em setores como coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, que apresentaram queda de 3,9% influenciada por paralisações em unidades produtivas. A indústria farmacêutica também registrou retração de 10,8% devido à menor fabricação de medicamentos.
Nas grandes categorias econômicas, os resultados foram variados. A produção de bens de consumo duráveis avançou 2,7%. Os segmentos de bens de capital e de bens de consumo semi e não duráveis registraram alta de 1% cada. Já os bens intermediários tiveram redução de 0,8%, influenciando negativamente o resultado geral.
