Morre Benedito Ruy Barbosa, mestre das novelas brasileiras, aos 95 anos

Benedito Ruy Barbosa | Foto: TV Globo

O renomado autor de telenovelas Benedito Ruy Barbosa faleceu nesta terça-feira (7) em São Paulo, aos 95 anos. A causa da morte foram complicações decorrentes de insuficiência renal crônica, conforme confirmado pelo Hospital do Coração (HCor), onde ele recebia tratamento. O velório está programado para ocorrer hoje, das 15h às 21h, no Funeral Home, no bairro Bela Vista. A cerimônia terá um período aberto ao público entre 15h e 16h. Em janeiro deste ano, Ruy Barbosa já havia passado 19 dias internado no HCor para tratar uma infecção urinária.

Considerado um dos pilares da teledramaturgia nacional, Benedito Ruy Barbosa construiu uma obra que frequentemente explorava o universo rural brasileiro, abordando temas como cultura interiorana, dinâmicas familiares, experiências de imigração e intensos romances. Seus personagens eram frequentemente retratados com qualidades como bravura, perseverança e otimismo. Entre seus trabalhos mais aclamados estão clássicos que definiram gerações na televisão brasileira, como “Meu Pedacinho de Chão” (1971), “Pantanal” (1990), “Renascer” (1993), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999).

Nascido em Gália (SP) em 1931, Benedito Ruy Barbosa teve uma infância marcada pela vida em Vera Cruz, cidade que abrigava imigrantes japoneses e italianos, influências que se refletiriam em sua escrita. Após a morte prematura do pai, precisou trabalhar desde cedo em diversas funções, incluindo vendedor e faxineiro, até conseguir uma oportunidade como revisor no jornal “O Estado de S. Paulo”. Essa experiência com a escrita o impulsionou para a literatura, com seu primeiro romance, “Fogo Frio”, sendo adaptado para o teatro e reconhecido pela crítica. Sua estreia na TV ocorreu em 1966 com “Somos Todos Irmãos”, pela TV Tupi, seguindo por outras emissoras até que, em 1971, “Meu Pedacinho de Chão” marcou o início de sua trajetória de sucesso.

A partir de 1976, com contrato na Globo, Benedito Ruy Barbosa emendou uma série de sucessos. Em 1990, na TV Manchete, escreveu “Pantanal”, novela que inovou ao destacar a beleza natural e a cultura do bioma brasileiro, impulsionando seu retorno à Globo para “Renascer” (1993), que narrou conflitos geracionais em torno de um coronel baiano. Ambas as obras foram posteriormente revisitadas por seu neto, Bruno Luperi. “O Rei do Gado” (1996) abordou a rivalidade entre famílias de imigrantes italianos e questões agrárias, enquanto “Terra Nostra” (1999) emocionou ao retratar a saga de imigrantes italianos no Brasil. Ruy Barbosa também reeditou obras como “Sinhá Moça” (2006) e “Meu Pedacinho de Chão” (2014), esta última permitindo a inclusão de ideias censuradas na ditadura. Seu último trabalho na televisão foi “Velho Chico” (2016), ambientada no sertão nordestino. Ao longo de mais de cinco décadas, Benedito Ruy Barbosa deixou um legado de histórias que valorizaram o Brasil profundo, suas tradições e o poder do amor, conforme ele próprio resumiu: “Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor”.

Com informações de: G1

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