Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de “Pantanal” e “O Rei do Gado”, aos 95 anos

A televisão brasileira perdeu nesta terça-feira (7) um de seus maiores autores. Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, em São Paulo, após complicações provocadas por insuficiência renal crônica. A morte foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), onde o escritor estava internado.  

Responsável por novelas que atravessaram gerações, Benedito construiu uma das carreiras mais marcantes da dramaturgia nacional. Entre seus principais trabalhos estão Pantanal, O Rei do Gado, Renascer, Terra Nostra, Cabocla e Sinhá Moça. Várias de suas histórias voltaram à televisão em novas versões, prova da força de personagens e conflitos criados décadas atrás.

Mais do que alcançar grandes audiências, o autor transformou o Brasil profundo em protagonista. Suas tramas levaram para a televisão a vida no campo, as disputas pela terra, a imigração, a força do agronegócio, as tradições do interior e a relação entre o homem e a natureza.

Foi também um dos grandes responsáveis por consolidar uma linguagem própria para as novelas rurais. Peões, fazendeiros, trabalhadores, famílias marcadas por conflitos e personagens ligados às raízes brasileiras ganharam espaço central em histórias que uniam romance, crítica social e identidade cultural.

Em Pantanal, Benedito apresentou ao país a beleza e os mistérios de uma das regiões mais emblemáticas do Brasil. Em O Rei do Gado, mergulhou nas disputas pela terra e nas contradições do campo. Já Terra Nostra resgatou a trajetória dos imigrantes italianos e sua participação na formação do país.

O dramaturgo enfrentava insuficiência renal crônica havia cerca de três anos. Em janeiro deste ano, chegou a permanecer internado por 19 dias para tratar uma infecção urinária agravada pelo quadro renal.  

Com a morte de Benedito Ruy Barbosa, a televisão perde um de seus mais importantes contadores de histórias. Fica uma obra que ajudou o Brasil a se enxergar na tela, não apenas pelas grandes cidades, mas também pelo campo, pelos rios, pela terra e pelas raízes de um país que ele soube transformar em dramaturgia.

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