
Mais de 120 mil famílias piauienses deixaram o Programa Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026 após registrarem aumento na renda familiar. Os dados são do Governo Federal e indicam que os desligamentos ocorreram principalmente porque os beneficiários conquistaram empregos com carteira assinada ou passaram a empreender, elevando seus rendimentos acima dos limites estabelecidos pelo programa.
Somente em maio deste ano, 5.945 famílias do estado deixaram de receber o benefício por terem superado os critérios de permanência. Teresina lidera o ranking dos municípios com maior número de desligamentos, somando 1.310 famílias. Em seguida aparecem Parnaíba (208), União (152), Picos (147) e Campo Maior (125).
Também figuram entre os dez municípios piauienses com mais famílias que saíram do programa Pedro II (116), Piripiri (101), Barras (85), Esperantina (85) e Piracuruca (85).
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, os números refletem a melhoria das condições econômicas de milhares de famílias que conseguiram aumentar a renda por meio da inserção no mercado de trabalho ou da criação de pequenos negócios.
O ministro Wellington Dias destacou que o novo formato do Bolsa Família busca incentivar a autonomia financeira dos beneficiários. “Milhões de famílias deixaram a situação de pobreza porque passaram a ter emprego ou iniciaram atividades empreendedoras”, afirmou.
Regra de Proteção garante transição gradual
Uma das medidas adotadas no novo modelo do programa é a chamada Regra de Proteção. O mecanismo permite que famílias que ultrapassem o limite de renda exigido para o Bolsa Família continuem recebendo metade do benefício por até 12 meses.
A regra vale para famílias cuja renda per capita supere R$ 218 por pessoa, mas permaneça abaixo de R$ 706 por integrante da família. A proposta é garantir uma transição mais segura para aqueles que conquistam uma melhora financeira.
Emprego impulsiona saída do programa
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que 80% das vagas formais criadas no país durante o primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por pessoas inscritas no Cadastro Único, base utilizada para acesso a programas sociais do Governo Federal.
Além disso, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV Social) revelou que a renda do trabalho entre a população mais pobre cresceu 10,7% em 2025, resultado atribuído ao aumento do emprego formal e às políticas de incentivo à geração de renda.
Cenário nacional
Em todo o Brasil, mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família desde a retomada do programa, em março de 2023. Os maiores números foram registrados nos estados de São Paulo, Distrito Federal, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Entre as capitais, São Paulo lidera o número de desligamentos por aumento da renda, seguida por Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e Brasília.
