
O Cânion do Rio Poti, no norte do Piauí, tornou-se palco de um evento natural espetacular com o início da florada dos ipês. Registros fotográficos detalhados, capturados pela primeira vez em mais de uma década de acompanhamento da região, revelam a intensa explosão de cores que colore as margens do rio e as imponentes formações rochosas. Essa exibição da natureza eleva a beleza de uma das unidades de conservação mais significativas do Nordeste brasileiro.
O cenário ganha uma dimensão histórica e cultural por abrigar um dos maiores complexos de gravuras rupestres pré-históricas ao ar livre das Américas. Milhares de inscrições deixadas por civilizações antigas há milhares de anos agora se integram à floração dos ipês amarelos, roxos e brancos. Essa convergência cria paisagens que fundem biodiversidade, arqueologia e a memória humana em um único e impressionante espaço. A temporada de floração, iniciada em junho e prevista para se estender até novembro, oferece um espetáculo prolongado, apesar da curta duração de cada florada individual, que dura entre sete e dez dias.
O fenômeno natural já impulsiona o turismo local. Dados recentes da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) indicam um aumento de 21,3% nos passeios náuticos realizados por visitantes, com condutores capacitados pelo órgão. Entre janeiro e maio deste ano, o cânion recebeu 1.687 turistas, um crescimento notável em comparação com os 1.328 do mesmo período em 2025.
A expectativa é que a divulgação dessas imagens inéditas e a continuidade da florada atraiam um fluxo ainda maior de visitantes nos próximos meses. Para acomodar esse crescimento, a Semarh está executando a maior reestruturação da história do Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, com obras de infraestrutura como a construção de guarita, portal de acesso, Central do Turista, ampliação do píer e escadaria, além de estacionamento e urbanização. Uma segunda fase prevê a construção de área de espera, sede administrativa, ponte metálica e um restaurante mirante, visando fortalecer o ecoturismo na região.
O secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Feliphe Araújo, ressalta a importância do investimento em infraestrutura para garantir uma experiência de qualidade aos visitantes e promover o turismo sustentável, beneficiando as comunidades locais. O ambientalista e pesquisador Dionísio Carvalho, que documentou o espetáculo após mais de 12 anos de estudo da área, expressou sua emoção ao registrar o encontro entre os ipês floridos e as paisagens monumentais do cânion, enfatizando a necessidade de preservar esse patrimônio único para o futuro.

Com informações de: campo maior em foco
