Inflação ultrapassa teto da meta e cesta básica se aproxima de R$ 700 em Teresina

A inflação brasileira chegou a 4,58% no acumulado de 12 meses até setembro, ultrapassando o teto de 4,5% da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Em Teresina, um levantamento que atribui os dados ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que a cesta básica alcançou R$ 698,55 no mesmo mês, comprometendo aproximadamente 43% do salário mínimo. O valor local ainda depende de confirmação no relatório oficial de setembro.

Os dados nacionais foram divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,82% em setembro, depois de registrar queda de 0,32% em agosto. Foi a maior alta mensal desde março deste ano.

Em Teresina, a pesquisa de preços da cesta básica, realizada pelo Dieese em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), permite acompanhar o custo dos alimentos essenciais. O último resultado confirmado diretamente na publicação oficial aponta que a cesta custou R$ 689,81 em agosto, uma redução de 1,77% em relação a julho, quando o valor era de R$ 702,27.

Já os números de setembro, divulgados por uma plataforma de acompanhamento de preços que utiliza dados atribuídos ao Dieese, indicam aumento de aproximadamente 1,3% no custo da cesta em Teresina. Se confirmados, representam uma reversão da trajetória de queda registrada nos dois meses anteriores.

O levantamento secundário aponta que o feijão acumulou aumento de 57,2% em 12 meses na capital piauiense. O leite teria subido 19,3%, enquanto a carne registrou elevação de 12,9% no mesmo período.

Entre os produtos pesquisados, a carne representa a maior parcela do custo mensal da cesta, com gasto estimado em R$ 209,92. O pão francês aparece em seguida, com R$ 120,78, e o tomate, com R$ 81,60. Esses valores consideram as quantidades previstas na metodologia da pesquisa para a alimentação de um trabalhador adulto.

No cenário nacional, a energia elétrica residencial foi o principal fator de pressão sobre a inflação de setembro. A alta ocorreu principalmente após o fim dos efeitos do Bônus de Itaipu, desconto temporário aplicado às contas de agosto.

O aumento da energia tem importância especial para cidades de clima quente, como Teresina, onde ventiladores e aparelhos de ar-condicionado contribuem para o consumo residencial. Entretanto, o percentual nacional de reajuste não representa necessariamente a variação registrada nas contas dos consumidores piauienses.

O grupo alimentação e bebidas também apresentou elevação no índice nacional, ampliando a preocupação com o poder de compra das famílias. A evolução dos preços dos alimentos em Teresina, no entanto, deve ser analisada a partir dos levantamentos locais, que podem apresentar resultados diferentes da média brasileira.

A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O resultado acumulado em 12 meses ultrapassou o limite superior, embora o descumprimento formal da meta dependa da permanência da inflação fora desse intervalo por seis meses consecutivos.

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos acompanha os preços de produtos essenciais e calcula o tempo de trabalho necessário para que uma pessoa remunerada com salário mínimo consiga adquirir os alimentos. O levantamento é utilizado como referência para avaliar o custo da alimentação e o poder de compra da população.

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