
Trabalhadores da limpeza urbana realizaram, nesta semana, uma paralisação de 24 horas em defesa da aprovação do Projeto de Lei 4146/2020, proposta que prevê valorização nacional da categoria com piso salarial de R$ 3.036, adicional linear de 40% de insalubridade, aposentadoria especial e melhores condições de trabalho.
O movimento mobilizou garis, representantes sindicais e servidores da limpeza pública, que cobraram do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a inclusão imediata do projeto na pauta de votação.
A manifestação presencial ocorreu durante a manhã, iniciando às 8h e seguindo até as 11h, enquanto a paralisação da categoria permaneceu ao longo de todo o dia. Os trabalhadores afirmam que o projeto já avançou em etapas importantes no Congresso Nacional após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), restando agora a votação no Senado para posterior sanção presidencial.

Durante o ato, a gari Vanessa Barros destacou a importância social da categoria e afirmou que os profissionais da limpeza urbana continuam enfrentando desvalorização mesmo exercendo uma atividade considerada essencial para a saúde pública e para o funcionamento das cidades.
Segundo ela, os garis realizam diariamente um trabalho pesado, expostos ao sol, à chuva, a resíduos contaminados e a riscos constantes à saúde, sem o reconhecimento proporcional à relevância do serviço prestado.
“A população só percebe a força da nossa categoria quando o serviço para. Somos nós que mantemos as ruas limpas, evitamos doenças e garantimos dignidade para toda a cidade. A aprovação desse projeto representa respeito e valorização para quem trabalha todos os dias de madrugada”, afirmou.

Entre as principais reivindicações defendidas durante a mobilização estão a implantação do piso salarial nacional de R$ 3.036 e a adoção da escala 5×2, apontada pelos trabalhadores como uma medida necessária para reduzir o desgaste físico e melhorar a qualidade de vida da categoria. As demandas foram reforçadas pelo funcionário da limpeza pública Jesiel Oliveira, que também participou do movimento.

O presidente do SEEACEP – Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Piauí, Jonatas Miranda, afirmou que a categoria vem intensificando as articulações políticas em Brasília para garantir a aprovação definitiva do projeto. Segundo ele, representantes sindicais já viajaram três vezes à capital federal para dialogar com parlamentares e apresentar as principais demandas dos trabalhadores.
Jonatas informou ainda que a mobilização conta com abaixo-assinado em apoio ao PL e reuniões com representantes do governo federal e lideranças políticas nacionais. De acordo com ele, o projeto já possui forte respaldo entre os trabalhadores da limpeza urbana em todo o país.
“O PL 4146 não trata apenas de salário. Ele trata de dignidade, saúde e reconhecimento humano. São profissionais que convivem diariamente com riscos biológicos, calor extremo e desgaste físico intenso. Muitos adoecem ao longo da vida sem qualquer proteção adequada”, declarou.
Os trabalhadores defendem ainda a aposentadoria especial como uma medida de justiça social, argumentando que a categoria atua em condições insalubres permanentes e possui alto índice de desgaste físico ao longo dos anos de serviço.
A categoria também ressaltou que a limpeza urbana é considerada um serviço essencial e estratégico para a saúde coletiva, especialmente na prevenção de doenças, no controle sanitário e na manutenção das condições básicas de higiene nos municípios.
Segundo os representantes sindicais, a expectativa é de que o Senado avance na tramitação do projeto nos próximos meses. O movimento afirma que novas mobilizações poderão ser realizadas caso o PL 4146 continue sem previsão de votação.

