Ex-motorista denuncia falta de freios, cintos e segurança no transporte escolar de Teresina

Motorista registra o painel de um dos ônibus utilizados no transporte escolar durante as denúncias sobre as condições do veículo.

Um ex-motorista do transporte escolar municipal de Teresina denunciou supostas irregularidades e condições precárias em veículos utilizados para o transporte de estudantes da rede pública. As acusações envolvem falta de freios, ausência de cintos de segurança, portas abrindo durante o trajeto, assédio moral e deficiência na fiscalização dos ônibus que atendem alunos da capital.

As denúncias foram feitas por Daniel Potiguar à Rádio Pioneira após sua demissão da empresa Estrada Mob, responsável por parte da operação do transporte escolar municipal. Segundo ele, os problemas colocavam em risco a segurança de crianças e trabalhadores.

De acordo com o ex-funcionário, o ônibus que conduzia apresentava falhas mecânicas constantes. Entre os problemas relatados estão portas que se abriam sozinhas durante o percurso, tacógrafo sem funcionamento, ausência de cintos de segurança para motorista e estudantes e falhas graves no sistema de freios. Daniel afirma que chegou a circular por dois dias transportando alunos sem freios adequados, utilizando apenas a redução de marchas para controlar o veículo.

O motorista também questiona a idade da frota utilizada. Segundo ele, o veículo que operava era fabricado em 2010, apesar de a licitação mais recente prever critérios mais rigorosos para os ônibus escolares.

Ainda conforme o relato, as reclamações eram comunicadas regularmente aos responsáveis pela empresa por meio de ligações e mensagens de áudio. Entretanto, as respostas recebidas se limitavam a pedidos para que continuasse trabalhando enquanto os problemas seriam resolvidos posteriormente.

Daniel afirma que o diretor da escola atendida pelo ônibus também chegou a comunicar a situação à Secretaria Municipal de Educação e aos setores responsáveis pelo transporte escolar. A promessa de substituição do veículo, segundo ele, só teria sido cumprida após sua saída da empresa, quando outro motorista assumiu a rota.

Além dos problemas mecânicos, o ex-funcionário denuncia ter sido vítima de assédio moral. Ele relata que o proprietário do veículo utilizado na rota, que teria vínculo familiar com dirigentes da empresa, ameaçava demiti-lo sempre que questionava as condições do ônibus. Segundo Daniel, há registros em áudio nos quais o proprietário orientaria que os defeitos do veículo não fossem comunicados à direção escolar, funcionários ou pais de alunos.

O ex-motorista também afirma que as irregularidades não se restringiam ao veículo que conduzia. Segundo ele, outros profissionais enfrentam dificuldades semelhantes em diferentes rotas do município. Ele citou, inclusive, reclamações registradas por pais de estudantes em comunidades da zona rural, onde já teriam ocorrido manifestações cobrando melhorias no serviço.

Outro ponto levantado foi a suposta ausência de fiscalização. Daniel declarou que, durante o período em que trabalhou na empresa, nunca foi submetido a abordagens ou inspeções da Polícia Rodoviária Federal ou da Polícia Rodoviária Estadual relacionadas às condições dos veículos.

Ao justificar a decisão de tornar o caso público somente após a demissão, o ex-motorista afirmou que dependia do emprego para sustentar a família. Segundo ele, a intenção agora é alertar pais, autoridades e a população sobre a situação do transporte escolar municipal.

As denúncias foram divulgadas inicialmente pela Rádio Pioneira, que ouviu o ex-motorista e informou que buscaria esclarecimentos junto à Secretaria Municipal de Educação e aos responsáveis pela empresa citada. O Portal Atualize reproduz as informações de interesse público e permanece à disposição para publicar os posicionamentos oficiais dos órgãos e empresas mencionados.

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