
O fenômeno climático El Niño já influencia as condições do tempo no Piauí, provocando temperaturas acima da média, redução das chuvas e aumento do risco de incêndios florestais. O alerta foi feito pelo climatologista da Defesa Civil, Werton Costa, que destacou os impactos esperados para os próximos meses e reforçou a necessidade de preparação da população e dos órgãos públicos.
Segundo o especialista, o El Niño tem origem no aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera a circulação atmosférica em diferentes partes do planeta. No Brasil, seus efeitos variam conforme a região. Enquanto o Sul e parte do Sudeste costumam registrar chuvas intensas e maior risco de enchentes, o Norte e o Nordeste enfrentam estiagem e calor mais intenso.
“No Piauí, o El Niño já está atuando. Estamos observando temperaturas acima da média para esta época do ano, com dias mais quentes e noites também mais aquecidas. Esse cenário exige atenção porque seus reflexos atingem a população, a economia e o meio ambiente”, afirmou Werton Costa.
De acordo com o climatologista, as temperaturas máximas estão, em média, cerca de um grau acima do esperado para o período, enquanto as mínimas apresentam elevação aproximada de dois graus. O cenário favorece o ressecamento da vegetação e amplia os riscos de queimadas.
Werton Costa explicou que setores diretamente dependentes das condições climáticas tendem a ser os mais afetados. A pecuária enfrenta dificuldades com a perda de pastagens, especialmente para a criação de ovinos e caprinos. A apicultura e a piscicultura também podem sofrer impactos em razão das altas temperaturas e da redução da disponibilidade de água.
“O produtor rural precisa acompanhar essas informações porque elas são estratégicas. Conhecer o comportamento do clima permite planejar melhor as atividades e reduzir prejuízos”, destacou.
O especialista também fez um alerta sobre os riscos de incêndios durante o período mais seco.
“Cada cidadão tem um papel importante. Evitar queimadas é um ato de responsabilidade com o meio ambiente e com a saúde da população. Um incêndio afeta não apenas a vegetação, mas também a qualidade do ar e aumenta os problemas respiratórios”, ressaltou.
Além dos impactos ambientais, Werton Costa recomenda reforçar a hidratação, utilizar protetor solar e evitar exposição prolongada ao sol nos horários de maior intensidade. Segundo ele, o ar seco favorece o surgimento de crises alérgicas e de doenças respiratórias.
Sobre a previsão do tempo, o climatologista informou que acompanha, por meio de imagens do satélite europeu EUMETSAT, o avanço de uma frente fria que poderá provocar episódios isolados de chuva no sul do Piauí por volta do dia 15 de julho.
“Estamos monitorando esse sistema porque ele pode trazer chuva para algumas áreas do sul do estado. Essas informações são importantes para orientar produtores, gestores públicos e a população sobre as condições climáticas dos próximos dias”, concluiu.
