CRM aponta falhas na Maternidade do Promorar e avalia interdição ética

 

O Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) identificou irregularidades no atendimento a gestantes e recém-nascidos no Hospital e Maternidade do Promorar, na zona sul de Teresina, durante fiscalização realizada na tarde de sexta-feira (16).

Entre os problemas apontados estão a falta de médicos neonatologistas, escalas incompletas de especialistas e demora na transferência de pacientes. Diante da situação, o Conselho avalia recomendar a interdição ética da unidade.

A fiscalização ocorreu após denúncias sobre a ausência de neonatologistas nos plantões. Durante a vistoria, os representantes do CRM-PI constataram que a deficiência de profissionais compromete a assistência aos recém-nascidos e aumenta a sobrecarga das equipes médicas.

Um dos casos identificados envolveu uma gestante em estado grave, que estava em trabalho de parto e aguardava transferência desde as 10h.

Segundo as informações divulgadas sobre a fiscalização, a paciente só conseguiu ser encaminhada para outra unidade hospitalar no final do dia, após a disponibilização de uma ambulância.

A inspeção também apontou ausência de médicos ultrassonografistas nos plantões noturnos e nos finais de semana. Conforme o Conselho, a falta de estrutura tem provocado o encaminhamento de gestantes para outras maternidades, inclusive para a realização de cesarianas.

A vistoria foi conduzida pelo presidente do CRM-PI, João Moura Fé, acompanhado do conselheiro Adélman Villa, integrante da Comissão de Prerrogativas Médicas. O promotor de Justiça Marcelo Monteiro também participou da fiscalização.

O CRM-PI informou que a maternidade será notificada sobre as irregularidades e que deverá deliberar sobre a possibilidade de indicar a interdição ética. A medida ainda não foi determinada e dependerá de avaliação do Conselho.

Fundação Municipal de Saúde reconhece dificuldade na escala médica

Em nota, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) reconheceu dificuldades para completar a escala de neonatologistas neste fim de semana. Segundo o órgão, o profissional titular está afastado por motivo legal, enquanto outro especialista, convocado por concurso público, solicitou exoneração recentemente.

A Fundação informou que busca um substituto para recompor a equipe e assegurar a continuidade dos atendimentos.

Sobre as transferências hospitalares, a FMS esclareceu que a UPA do Promorar dispõe de sala vermelha equipada para receber pacientes graves. Segundo a instituição, quando há necessidade de remoção, os pacientes permanecem acompanhados pelas equipes assistenciais até a disponibilização de vaga na rede municipal ou estadual.

A gestão municipal também afirmou que o hospital e a UPA passaram por melhorias estruturais desde janeiro de 2025. Entretanto, reconheceu que a maternidade ainda necessita de intervenções, previstas no processo de requalificação da rede municipal de saúde.

A situação deverá continuar sob acompanhamento dos órgãos de fiscalização, diante da necessidade de garantir atendimento seguro às gestantes e aos recém-nascidos que dependem da unidade.

 

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