Condenado por assassinato alega reuniões com governador do Maranhão

Pivô de caso que envolve STF e cúpula política do estado disse em dois depoimentos ter frequentado Palácio dos Leões para encontros com Carlos Brandão

Um homem condenado pelo assassinato de um empresário em 2022, Gilbson César Soares Cutrim Júnior, declarou em dois depoimentos à Polícia Federal que manteve contato e participou de reuniões com o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB).

As reuniões teriam ocorrido no Palácio dos Leões, sede oficial do governo estadual. O primeiro relato foi feito em 24 de junho de 2025, durante uma sindicância no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e o segundo, em 19 de fevereiro de 2026, no âmbito de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Gilbson, os encontros com Brandão iniciaram em 2021, quando o então governador era vice de Flávio Dino. Através dessas conexões, ele também teria passado a interagir com Daniel Brandão, sobrinho do governador e atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Inicialmente, os encontros se concentravam em negócios imobiliários, mas evoluíram para frequentes visitas ao Palácio dos Leões, com direito a uma vaga de estacionamento no local.

Essas declarações integram a investigação sobre o homicídio ocorrido em agosto de 2022, em São Luís. A versão inicial da Polícia Civil, que levou à condenação de Gilbson a 13 anos de prisão, apontava para uma desavença pessoal como motivo do crime.

No entanto, a partir de 2025, Gilbson e seus familiares apresentaram uma nova narrativa, sugerindo que o assassinato estaria ligado a uma disputa por dinheiro de contratos públicos, com supostos pagamentos direcionados a ele para garantir seu silêncio.

A nova linha de investigação aponta que uma empresa vinculada a um esquema teria recebido fundos do governo estadual, com parte dos recursos destinados a retornar ao grupo. Um impasse financeiro e acusações mútuas teriam culminado no encontro fatal. Daniel Brandão, sobrinho do governador, esteve presente no dia do crime.

As declarações de Gilbson e de seus familiares impulsionaram uma série de ações da Polícia Federal e decisões do ministro Flávio Dino, relator do caso no STF. Recentemente, Dino determinou o afastamento de Daniel Brandão da presidência do TCE por 180 dias, citando fortes indícios de tentativas de blindar o nome do sobrinho do governador nas apurações.

O ex-secretário de Assuntos Legislativos, Raimundo Cutrim, também foi colocado em prisão domiciliar por ordem de Dino, após a revelação de um áudio em que ele supostamente orientava o pai de Gilbson a influenciar o filho e a nora a alterarem seus depoimentos.

A defesa do governador Carlos Brandão refuta as acusações de envolvimento em práticas criminosas, considerando-as inconsistentes e questionando a competência do STF para conduzir a investigação, dado o foro por prerrogativa de função de Brandão no STJ.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também não teria referendado as investigações. A defesa alega dificuldades em acessar o processo sigiloso e pretende recorrer judicialmente. O governador, por sua vez, negou veementemente qualquer relação com Gilbson, classificando as acusações como infundadas e baseadas no depoimento de um “assassino confesso”.

Ele também contestou a informação sobre a vaga de estacionamento no Palácio dos Leões, afirmando que o local está ocupado por um gerador há anos. A defesa do governador reitera a confiança no Poder Judiciário e a necessidade de respeito às regras constitucionais de competência, contraditório e ampla defesa.

Com informações de: SBT News

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