
A falta de acessibilidade denunciada durante o concurso público de Altos reacendeu a discussão sobre a inclusão e a garantia de igualdade de condições para pessoas com deficiência nos processos seletivos.
Ionadson Marques, candidato com deficiência visual, afirma que não conseguiu realizar a prova após ser colocado com mais de 30 pessoas na mesma condição em uma única sala, onde leitores e transcritores atuavam simultaneamente.
Segundo Ionadson, o excesso de vozes tornou o ambiente inadequado para a realização da prova. Para ele, os participantes que necessitavam dos serviços de leitura e transcrição deveriam ter sido acomodados em espaços individuais, evitando interferências e prejuízos à concentração.

Ainda conforme o relato, os candidatos procuraram o coordenador responsável pelo local de aplicação, mas ele teria se recusado a se identificar e não solucionou o problema. A coordenadora-geral, que estava em Teresina, teria chegado ao local somente por volta das 10h40 e reconhecido que a escola não possuía estrutura física suficiente para receber todos os candidatos com deficiência visual.
A denúncia também aponta que alguns participantes foram orientados a realizar as provas em duplas ou trios. Outros teriam sido encaminhados para corredores, áreas abertas, espaços próximos a banheiros e locais destinados a lactantes.
Barulho de veículos, choro de crianças e mau cheiro também estão entre os problemas relatados. Diante das condições encontradas, Ionadson recusou-se a fazer a prova. Segundo ele, outros candidatos igualmente desistiram do certame.
Após deixar o local, o candidato registrou boletim de ocorrência no 14º Distrito Policial de Altos. Na segunda-feira seguinte, apresentou uma denúncia ao Ministério Público no município.
Ionadson pede que a banca organizadora apure o ocorrido e aplique uma nova prova aos participantes prejudicados. Como alternativa, defende o cancelamento do concurso caso sejam constatadas irregularidades capazes de comprometer a igualdade entre os concorrentes.
O episódio reforça que a inclusão em concursos públicos não pode se limitar à reserva de vagas. É necessário garantir acessibilidade desde o planejamento até a aplicação das provas, com estrutura adequada, atendimento individualizado e condições que permitam aos candidatos demonstrar seus conhecimentos sem desvantagens.
O espaço permanece aberto para que o Instituto IGDUC, responsável pela organização do concurso, apresente esclarecimentos sobre as denúncias e informe quais providências serão adotadas.
