Blackwashing: estudo revela táticas de empresas que simulam compromisso racial

Pesquisadores listam estratégias de comunicação utilizadas

Um novo estudo da organização ACT Promoção da Saúde lança luz sobre o “blackwashing”, prática de comunicação em que empresas cultivam uma imagem de engajamento com a causa racial sem implementar mudanças estruturais significativas.

A pesquisa, intitulada “As corporações são, de fato, engajadas na pauta racial?”, detalha as estratégias de marketing e comunicação empregadas para mascarar a busca por lucro por trás de discursos antirracistas.

O conceito de blackwashing, análogo ao “greenwashing” (foco ambiental) e “pinkwashing” (pauta LGBTQIA+), é definido pelos pesquisadores como uma tática corporativa que utiliza a causa antirracista para fins lucrativos, sem, contudo, abordar as iniquidades raciais de forma profunda.

O levantamento identifica oito variações dessa prática, incluindo divulgação seletiva de informações, políticas com baixo potencial de impacto, certificações questionáveis e o uso de narrativas enganosas em campanhas publicitárias.

O estudo também ressalta a falta de representatividade negra em cargos de liderança nas maiores empresas do Brasil. Dados indicam que, apesar de pessoas pretas e pardas representarem mais da metade da população, sua presença em conselhos administrativos e cargos executivos é desproporcionalmente baixa.

Os autores concluem que o blackwashing é um mecanismo que perpetua a desigualdade racial e que combatê-lo exige ações que alterem a estrutura que o possibilita, indo além de denúncias isoladas ou apelos morais.

Com informações de: AGBR

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