
O avanço da inteligência artificial tem facilitado a aplicação de golpes financeiros pela internet. Áudios que imitam a voz de familiares, vídeos manipulados e mensagens aparentemente enviadas por pessoas conhecidas estão entre as estratégias utilizadas por criminosos para enganar vítimas. No Piauí, a Polícia Civil já alertou para os riscos do uso dessa tecnologia em fraudes digitais.
Uma das modalidades mais preocupantes envolve a clonagem de voz. Com ferramentas de inteligência artificial, golpistas conseguem reproduzir características da fala de uma pessoa e utilizar o áudio para solicitar transferências bancárias, principalmente por Pix. A vítima acredita estar ajudando um filho, companheiro ou outro familiar, quando, na realidade, está sendo abordada por um criminoso.
A sofisticação dessas fraudes também alcança os vídeos. A tecnologia conhecida como deepfake permite manipular imagens e sons para criar gravações nas quais uma pessoa parece dizer ou fazer algo que nunca aconteceu. O recurso pode ser utilizado para simular declarações de autoridades, divulgar falsas oportunidades de investimento e promover produtos inexistentes.
No Piauí, o delegado Humberto Mácola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil, já chamou atenção para a utilização da inteligência artificial na prática de crimes virtuais. Entre as recomendações estão confirmar a identidade de quem solicita dinheiro e desconfiar de contatos desconhecidos, especialmente quando há pedidos urgentes de transferências.
A manipulação de conteúdos também representa uma ameaça à circulação de informações confiáveis. Em setembro, a Justiça Eleitoral do Piauí determinou a suspensão de perfis em uma rede social após a divulgação de um vídeo produzido com inteligência artificial que simulava uma reportagem jornalística. O material utilizava uma voz artificial para reproduzir a fala de um jornalista e divulgar acusações contra um candidato ao Senado.
Além dos prejuízos financeiros, esse tipo de tecnologia pode comprometer reputações, disseminar informações falsas e dificultar a identificação de conteúdos autênticos. A possibilidade de reproduzir vozes e imagens torna mais difícil reconhecer tentativas de fraude apenas pela aparência de uma mensagem.
Para reduzir os riscos, especialistas em segurança digital recomendam desconfiar de pedidos inesperados de dinheiro, mesmo quando a voz parece familiar. A orientação é entrar em contato diretamente com a pessoa por um número conhecido e confirmar a situação antes de realizar qualquer pagamento.
Também é importante evitar links suspeitos, não compartilhar senhas ou códigos de autenticação e ativar a verificação em duas etapas nos aplicativos de mensagens e redes sociais.
Em casos de transferências fraudulentas por Pix, a vítima deve comunicar imediatamente o banco e solicitar a análise pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), disponibilizado pelo Banco Central. O pedido pode ser realizado em até 80 dias após a transação, mas a recuperação dos valores não é garantida.
O registro de boletim de ocorrência e a preservação de mensagens, áudios e comprovantes também são fundamentais para auxiliar as investigações.
Diante de ferramentas capazes de produzir conteúdos cada vez mais convincentes, a principal recomendação permanece simples: confirmar a informação antes de acreditar, compartilhar ou transferir dinheiro.
