Vereador do Piauí acusa governador Rafael de cobrar R$ 2 milhões em propina para liberar obra

uposta negociação expõe esquema de “pedágio” em contratos públicos; governo não se pronunciou até o momento // Vereador de Dom Inocêncio-PI, Raimundo do Lero (PSD).

Um áudio que circula nas redes sociais desde a madrugada desta sexta-feira (25 de julho de 2025) causou forte repercussão política no Piauí. Nele, um homem identificado como vereador Raimundo do Lero (PSD), aliado da base do governador Rafael Fonteles (PT), acusa o chefe do Executivo Estadual de exigir R$ 2 milhões para liberar recursos de uma obra no município de Dom Inocêncio, no Sul do Piauí.

O material, cuja autenticidade ainda não foi confirmada por órgãos oficiais, contém um desabafo do parlamentar municipal durante uma conversa informal. Nas gravações, Raimundo relata supostos bastidores das negociações para execução de obras no município e menciona explicitamente que a liberação de pagamentos estaria condicionada ao repasse milionário.

Trecho do áudio

“Eu vi o cara da empresa negociando com o chefe lá e dizendo que tem que liberar 2 milhões que o Rafael está precisando de hoje para amanhã. (…) Tirando 2 milhões de uma estrada dessa, meu amigo, o que ela ia fazer de bom? Como é que ela não vai sair diferente?”, diz a voz atribuída ao vereador.

Em outro momento, o vereador critica o que chama de “sistema”:

“Infelizmente, votei no Rafael e vendo aquilo. (…) O sistema é esse, meu amigo. (…) A partir do ano que vem vai ser liberado muita coisa. Que é o ano de fazer essa faca à toa. É o ano de tirar essas coisas para a eleição.”

 Contexto das acusações

O áudio indica uma suposta prática de cobrança de propina para destravar recursos estaduais destinados a obras, com valores que chegariam a R$ 2 milhões. Raimundo afirma que presenciou o diálogo entre um empresário e um “chefe” da obra, onde o nome do governador é citado como beneficiário.

Além disso, o vereador sugere que o desvio teria finalidade eleitoral:

“Eles lá têm a forma de tirar, de fazer isso aí para fazer a maquiagem”, diz, insinuando que recursos públicos estariam sendo usados para bancar campanhas em 2026.

 Peso político e repercussão

Raimundo do Lero é filiado ao PSD, partido que integra a base de apoio do governo Rafael Fonteles no estado. A denúncia, mesmo informal, lança dúvidas sobre o modelo de contratação e execução de obras no Piauí e reaquece críticas sobre transparência no uso de verbas estaduais.

Até o momento, a assessoria do governador não emitiu nota oficial. O áudio viralizou em grupos de WhatsApp, levantando pressão sobre a Coordenadoria de Comunicação do Estado e órgãos de controle para se pronunciarem.

O que pode acontecer agora         

Caso seja comprovada a veracidade da gravação, a fala configura indício grave de crime de corrupção passiva e ativa, além de improbidade administrativa. O Ministério Público e a Controladoria-Geral do Estado podem ser acionados para abrir investigação.

O caso também pode ter impacto direto nas relações políticas entre o Palácio de Karnak e a base governista, uma vez que a denúncia vem de um vereador aliado.

Piora, pois se o áudio for autêntico, ele escancara um esquema de pedágio milionário em contratos públicos, sustentado por uma cultura que o próprio vereador chama de “sistema”. Um sistema que, pelo relato, não distingue esquerda de direita, mas une todos no mesmo balcão: a obra pública como caixa eleitoral.

saraivarepórter

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