
A retirada de ônibus pela Prefeitura de Teresina, após autorização judicial, abriu um novo capítulo na disputa com empresas do transporte coletivo. Os veículos estavam em um terreno na capital e foram associados pela gestão municipal a uma situação de abandono.
Em resposta, o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) realizou coletiva nesta quarta-feira (16). Na ocasião, a consultora jurídica do sindicato, Naiara Moraes, afirmou que não houve abandono, mas sim tentativa anterior de devolução dos veículos ao município.
De acordo com o Setut, os ônibus já haviam ultrapassado o tempo de vida útil previsto em contrato – cinco anos para vans e sete anos para micro-ônibus – e, por isso, deixaram de integrar o sistema. Ainda assim, a Prefeitura não teria feito o recolhimento no período adequado.
Nesse intervalo, o empresário Joselito Campello, dono da empresa Santa Cruz, responsável pela operação, precisou alugar um terreno para armazenar os veículos, com custo estimado em R$ 150 por dia. Segundo o relato, os ônibus permaneceram no local mesmo após a devolução formal ao município.
Durante a coletiva, Naiara Moraes classificou o cenário do sistema como de “pré-colapso”, citando subfinanciamento, falhas contratuais e falta de coordenação na gestão do transporte.

Transporte eficiente – Ainda durante a coletiva nesta quinta-feira (16), a advogada afirmou que o impasse está diretamente ligado ao serviço voltado a pessoas com deficiência. Segundo Naiara Moraes, os pagamentos desse segmento estão atrasados há cinco meses, o que teria agravado a situação operacional.
O contrato previa dez veículos, mas atualmente apenas sete estão em circulação. Cada um tem capacidade para até sete passageiros, enquanto a demanda chegava a 15 agendamentos em um intervalo de três horas, o que, segundo o Setut, ultrapassa o limite do sistema.
A entidade também alertou que os dados do transporte eficiente não devem ser confundidos com os do transporte regular, já que se tratam de contratos e valores distintos.
Outro ponto levantado foi a mudança na lógica da operação. Segundo o Setut, um termo aditivo concentrou a frota em uma única empresa, contrariando a divisão por lotes prevista na licitação.
Nesse contexto, a empresa Santa Cruz, mesmo vencedora do processo, teria sido retirada da operação, o que levou à judicialização do caso. A decisão mais recente, segundo o setor, priorizou a continuidade do serviço, mas deixou em segundo plano o equilíbrio contratual.
A entidade também afirma que parte dos veículos considerados inservíveis poderia ter sido reaproveitada, caso tivesse sido recolhida no momento adequado, ainda em condições de uso.
Para o Setut, o impasse impacta diretamente os usuários, com redução da frota, sobrecarga no sistema e aumento de reclamações.
A Prefeitura de Teresina não se manifestou sobre as declarações até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamento.

