
O edital do concurso público da Prefeitura de Altos, no Piauí, virou alvo de críticas de conselhos profissionais e entidades sindicais por causa dos salários oferecidos para cargos de nível superior. O certame prevê 843 vagas imediatas, além de cadastro de reserva para diferentes áreas da administração pública.
Entre os vencimentos questionados estão os de cardiologista, com salário de R$ 3,5 mil para jornada de 40 horas semanais; enfermeiro, com remuneração de R$ 1,8 mil também para 40 horas; psicólogo, com R$ 1.621 para carga horária de 30 horas; e assistente social, com valor equivalente a um salário mínimo.
Os maiores salários previstos no edital são destinados a professores, podendo chegar a R$ 6.120,83 para jornada de 40 horas semanais.
Diante da repercussão, entidades representativas das categorias passaram a cobrar publicamente a revisão dos valores estabelecidos pela prefeitura.
O Conselho Regional de Serviço Social do Piauí (CRESS-PI) afirmou que o salário previsto para assistentes sociais é incompatível com a responsabilidade das funções exercidas pela categoria. Em nota, o órgão declarou que a remuneração compromete a valorização profissional e pediu a revisão imediata do edital.
O Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí (Simepi) também criticou o certame, classificando o salário ofertado aos médicos como insuficiente. A entidade afirmou ainda que a baixa remuneração pode afastar profissionais qualificados e favorecer indicações políticas para ocupação dos cargos.
Já o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) destacou que os vencimentos previstos para enfermeiros estão abaixo do piso salarial nacional da categoria. A entidade também apontou que o edital estabelece remuneração inferior até mesmo à prevista para alguns cargos técnicos, o que considerou um desrespeito aos profissionais da área.
O Conselho Regional de Psicologia da 21ª Região (CRP-21) também se manifestou contra os valores apresentados no concurso. Segundo o órgão, a remuneração prevista para psicólogos representa desvalorização da profissão, mesmo com a carga horária de 30 horas semanais.
As entidades cobram que a Prefeitura de Altos reveja os salários antes do andamento das próximas etapas do concurso público.
