Piauí tem 73 mil pessoas em áreas de risco; Teresina lidera alerta de desastres

Na área financeira, o cenário também é considerado grave: 220 dos 224 municípios não regulamentaram o Fundo Municipal de Defesa Civil (FUMDEC)

Um levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Piauí revelou que mais de 73 mil pessoas vivem em áreas de risco no estado, com maior concentração em Teresina, onde cerca de 27 mil moradores estão expostos a enchentes, deslizamentos e enxurradas. Os dados foram obtidos a partir de informações do IBGE e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que mapearam regiões vulneráveis, especialmente nas margens do Rio Parnaíba e seus afluentes.

O estudo identificou 46 municípios piauienses como prioritários para ações de proteção e defesa civil, incluindo Parnaíba, Picos, Piripiri, Campo Maior e Floriano. No entanto, a estrutura de resposta a desastres permanece limitada. Embora 67,39% dos municípios tenham normas de defesa civil e 71,74% contem com coordenadorias, a capacidade operacional ainda é baixa. A ausência de planejamento é um dos principais problemas: 94,64% não possuem Plano de Contingência e atuam de forma reativa, com decretos de emergência e soluções improvisadas.

A falta de monitoramento e alerta também preocupa: 19 municípios não possuem equipamentos climáticos, e apenas cinco têm sistemas de alerta e rotas de evacuação definidas. Na esfera financeira, 220 dos 224 municípios não regulamentaram o Fundo Municipal de Defesa Civil (FUMDEC), dificultando o acesso a recursos federais em emergências. Além disso, 97,77% das cidades não possuem cadastro formal de abrigos, dependendo de estruturas improvisadas.

Apesar das fragilidades, o relatório destaca avanços recentes, como a criação do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil (PEPDEC) e legislações para adaptação às mudanças climáticas. No entanto, o diagnóstico do TCE aponta que a Defesa Civil no Piauí ainda atua de forma burocrática, com foco no pós-desastre, negligenciando a prevenção e a preparação, o que amplia os impactos sociais e econômicos para a população.

Com informações de: TCE-PI

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