
O transporte público de Teresina deve enfrentar uma nova interrupção a partir da próxima segunda-feira (18). O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Piauí (Sintetro) confirmou uma paralisação da categoria, sem prazo definido para encerramento. Segundo o sindicato, o movimento seguirá até que haja avanços nas negociações com os empresários do setor.
A categoria reivindica o pagamento regular do plano de saúde e do ticket alimentação, além de denunciar a ausência de reajustes salariais e de benefícios desde 2022. O Sintetro também aponta dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores, como a redução da frota de ônibus em circulação, baixa remuneração e falta de melhores condições estruturais para a prestação do serviço.
De acordo com o sindicato, o sistema de transporte coletivo da capital atravessa um cenário de forte desgaste. A entidade afirma que, caso as reivindicações não sejam atendidas, uma greve geral poderá ser iniciada a partir do dia 25 de maio, ampliando os impactos para a população usuária do sistema.
O Sintetro também levantou uma denúncia sobre a situação do transporte escolar do município. Segundo a entidade, veículos do transporte coletivo considerados inadequados para operação regular estariam sendo utilizados no transporte de estudantes. Até o momento, no entanto, não foram apresentadas provas concretas da acusação, e não há posicionamento oficial sobre o caso.
Entre os trabalhadores, a paralisação encontra apoio. O motorista Paulo Dutra afirmou à reportagem que a categoria enfrenta uma defasagem salarial e considera justa a busca por reajustes e melhorias nas condições de trabalho. Apesar de relatar boas condições no veículo em que atua, ele ressaltou que a realidade pode variar em outros ônibus do sistema.
A notícia da paralisação preocupa usuários do transporte coletivo, especialmente aqueles que dependem diariamente dos ônibus para trabalhar e estudar. A professora Luciene Vieira demonstrou preocupação com os impactos da medida para trabalhadores de baixa renda. Segundo ela, muitas pessoas não possuem condições de recorrer a carros por aplicativo e podem enfrentar dificuldades para manter a rotina durante a suspensão do serviço.
Já a aposentada Maria José Bandeira, usuária frequente do sistema, criticou as condições do transporte público na capital. Ela relatou longas esperas, veículos antigos e dificuldades enfrentadas durante os trajetos, afirmando que os problemas já fazem parte da rotina dos passageiros antes mesmo da paralisação.
A crise no transporte coletivo de Teresina tem sido alvo frequente de reclamações da população, principalmente por causa da redução de linhas, demora nas viagens e condições da frota. Com a paralisação anunciada, passageiros temem novos transtornos nos próximos dias.
Até o momento da publicação desta matéria, a Prefeitura de Teresina, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) e as empresas responsáveis pelo transporte coletivo não haviam se manifestado sobre a paralisação anunciada pelo Sintetro.
