Papa pede perdão pela escravidão e defende “desarmar” a Inteligência Artificial

 

O papa Leão XIV repercutiu mundialmente nesta segunda-feira (25) ao fazer dois movimentos considerados históricos em seu início de pontificado: pedir perdão pelo papel da Igreja Católica na escravidão e lançar sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, dedicada aos impactos da Inteligência Artificial sobre a humanidade. O documento reúne reflexões sobre ética, tecnologia e dignidade humana e defende que a IA seja colocada a serviço do bem comum, sem se transformar em ferramenta de dominação, exclusão ou violência.

A declaração do pontífice sobre a escravidão teve ampla repercussão internacional e foi destacada pelo escritor e jornalista Laurentino Gomes, autor da trilogia Escravidão. Nas redes sociais, ele classificou o gesto como necessário e simbólico diante de uma das maiores feridas da história. Para Laurentino, reconhecer institucionalmente a participação histórica da Igreja ajuda a fortalecer a memória coletiva e amplia o debate sobre justiça e reparação.

No mesmo documento, Leão XIV ampliou a discussão para outro tema que considera decisivo para o presente e o futuro: a Inteligência Artificial. O papa afirmou que as novas tecnologias precisam ser “desarmadas” e libertadas de interesses que possam transformá-las em mecanismos de controle ou aprofundamento das desigualdades.

Segundo ele, a IA já interfere diretamente na vida cotidiana, influencia decisões públicas e privadas e também altera a forma como guerras são conduzidas, o que exige vigilância ética e responsabilidade coletiva.

Ao apresentar a encíclica no Vaticano, o pontífice comparou o atual momento tecnológico às grandes mudanças provocadas pela Revolução Industrial, lembrando que a Igreja precisou se posicionar diante das transformações sociais no passado e agora volta a tratar das “novas questões” do seu tempo.

Leão XIV afirmou que a construção desse documento nasceu da escuta de cientistas, engenheiros, educadores, autoridades públicas e também de pessoas afetadas pelos impactos da tecnologia. Entre as preocupações citadas estão sistemas autônomos usados em conflitos armados e algoritmos que podem reproduzir injustiças ao influenciar acesso a trabalho, saúde e segurança.

Para o papa, a tecnologia não pode caminhar separada da consciência humana. Mais do que conter riscos, ele defendeu a construção de um modelo tecnológico orientado pela responsabilidade, pela justiça social e pela proteção da dignidade humana.

Ao encerrar a apresentação da Magnifica humanitas, Leão XIV fez um apelo para que a sociedade internacional trate a Inteligência Artificial como uma ferramenta de cooperação e não de poder concentrado.

“O futuro não pode ser construído para poucos privilegiados, mas para toda a família humana”, afirmou o pontífice.

Com a nova encíclica, o Vaticano coloca oficialmente a Inteligência Artificial no centro do debate moral e social da Igreja e amplia uma discussão que ultrapassa o campo religioso, alcançando governos, empresas e a própria sociedade diante de uma tecnologia cada vez mais presente no cotidiano.

MAIS NOTÍCIAS

+LIDAS DA SEMANA