MPPI abre inquérito para investigar atuação de delegado do Draco nas redes sociais

Foto: Arquivo Cidadeverde.com

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) abriu, nesta sexta-feira (5), um Inquérito Civil para apurar a conduta do delegado Charles Pessoa, coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), em publicações feitas nas redes sociais.

A investigação busca verificar se conteúdos divulgados pelo delegado em perfis digitais utilizaram elementos institucionais da Polícia Civil de forma incompatível com os princípios da administração pública. Entre os materiais analisados estão vídeos e imagens de operações policiais, apreensões de drogas, armamentos, viaturas e ações conduzidas pela corporação.

De acordo com a portaria que oficializa a abertura do procedimento, o Ministério Público avalia se houve uso da estrutura e da imagem da Polícia Civil em publicações de caráter pessoal. O órgão também pretende apurar se houve exposição de pessoas investigadas ou presas, situação que poderia atingir direitos garantidos pela legislação, como a presunção de inocência e a proteção da imagem.

As publicações sob análise estão relacionadas, principalmente, a operações realizadas em municípios do Sul do Piauí, incluindo Bom Jesus, Redenção do Gurguéia e Currais. Uma das ações citadas na investigação resultou na apreensão de drogas avaliadas em aproximadamente R$ 2 milhões.

Além dos possíveis impactos administrativos, o MPPI também demonstrou preocupação com eventuais reflexos eleitorais das publicações, considerando a proximidade das eleições de 2026. O procedimento destaca a necessidade de verificar se houve promoção pessoal associada ao exercício da função pública.

Para aprofundar a apuração, o Ministério Público solicitou apoio do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GACEP), que deverá elaborar um relatório técnico sobre o caso. Também foram requisitadas informações à Secretaria de Segurança Pública, à Delegacia-Geral e à Corregedoria da Polícia Civil sobre possíveis autorizações institucionais ou procedimentos internos envolvendo o delegado.

Outra medida determinada foi o envio dos autos à Procuradoria Regional Eleitoral no Piauí (PRE-PI), que analisará se os fatos possuem repercussão na esfera eleitoral. A plataforma Meta, responsável pelo Instagram, também será acionada para preservar conteúdos e fornecer informações sobre a conta investigada, incluindo eventual monetização do perfil.

O procedimento segue em fase inicial e ainda não há conclusão sobre a existência de irregularidades. A investigação deverá reunir documentos, relatórios e demais elementos que servirão de base para as próximas decisões do Ministério Público.

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