
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu, por 5 votos a 4, não abrir um procedimento investigativo contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A decisão, tomada nesta sexta-feira (25), atende a um pedido do Partido Novo que buscava apurar a conduta de Gonet após menções em conversas encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2023.
O colegiado negou o pedido para investigar Gonet por prevaricação e para afastá-lo dos processos relacionados a fraudes no Banco Master. Em uma votação unânime, por 9 a 0, os conselheiros também optaram por manter Gonet na condução dos casos.
A decisão de rejeitar a investigação foi fundamentada pelos subprocuradores Francisco Sanseverino, Celso Albuquerque, Alexandre Camanho, Hidenbugo Chateaubriand e Nicolau Dino.
Por outro lado, os subprocuradores Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adonis e Ana Borges Santos votaram a favor da abertura.
Durante a sessão, Hindenburg Chateaubriand, que votou contra a investigação, argumentou que não havia indícios de “amizade íntima” entre Gonet e Vorcaro, e que o procurador-geral só poderia ser afastado pela Justiça.
Ele destacou que Gonet sequer aparece na agenda telefônica de Vorcaro. Em contrapartida, a subprocuradora Ana Borges defendeu a investigação, classificando o caso Master como um “escândalo de corrupção” e entendendo que Gonet não deveria ter solicitado ao Supremo a anulação do relatório da PF.
Ela afirmou que “há elementos suficientes para caracterizar, em tese, o dolo específico para imputar ao procurador-geral o crime de prevaricação, e assim autorizar uma investigação criminal”. As mensagens que levaram à controvérsia vieram à tona após o ministro André Mendonça, do STF, retirar o sigilo de parte da investigação, que também revelou comunicações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Em uma das mensagens, datada de 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro expressou preocupação com o avanço das investigações e questionou se seria possível reverter a situação com a ajuda de Paulo Gonet ou do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Apesar das citações, não há provas de interferência de Gonet ou Rodrigues nas apurações. Recentemente, o jornal O Globo publicou uma foto de Gonet com Vorcaro e outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro em um evento jurídico em Londres, em abril de 2024. Gonet, por sua vez, negou qualquer proximidade com Vorcaro, descrevendo sua interação como “brevíssima e banal”.
Com informações de: AGBR
