Mesmo com queda nas mortes, Teresina registra 71 vítimas no trânsito no primeiro semestre de 2026

Samyra Mota, gerente de educação de trânsito.

Apesar da redução no número de mortes em comparação com o mesmo período do ano passado, o trânsito de Teresina continua fazendo vítimas e preocupando as autoridades. Dados do Observatório de Trânsito da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontam que 71 pessoas morreram em acidentes entre janeiro e junho deste ano, o equivalente a uma média superior a 11 óbitos por mês.

O levantamento mostra que abril foi o mês mais violento do semestre, com 18 mortes registradas. Embora o número represente uma redução de 14,46% em relação ao primeiro semestre de 2025, quando foram contabilizadas 83 mortes, o perfil das vítimas e as circunstâncias dos acidentes ainda acendem um alerta.

A maioria das vítimas fatais é do sexo masculino, representando 59 dos 71 casos registrados. A faixa etária mais atingida está entre 45 e 54 anos, e os acidentes com morte ocorrem, principalmente, no período da noite, com maior concentração a partir das 17h.

Outro dado que chama atenção é que, em 60,56% dos casos, as vítimas não possuíam Carteira Nacional de Habilitação (CNH), cenário que preocupa os órgãos de fiscalização por indicar o crescimento da circulação de condutores sem habilitação.

Segundo o coordenador da Diretoria de Operações de Trânsito (DOT), Carlos Terto, a redução dos índices é resultado das ações integradas entre as forças de segurança, mas o trabalho precisa ser permanente.

“A fiscalização não pode parar. Temos realizado operações integradas com a Polícia Militar e a Polícia Civil, além de blitz e ações educativas. O nosso objetivo é reduzir cada vez mais os acidentes e, futuramente, zerar as mortes no trânsito”, afirmou.

Carlos Terto destacou que, além da fiscalização, é fundamental investir na conscientização da população para mudar o comportamento dos condutores.

“Por mais que existam fiscalização e campanhas educativas, a mudança depende também de cada motorista. É preciso que as pessoas assumam uma postura mais responsável no trânsito.”

O coordenador também chamou atenção para o perfil das ocorrências mais graves. Segundo ele, os motociclistas continuam sendo as principais vítimas fatais, especialmente os mais jovens.

“Grande parte das mortes envolve motociclistas entre 18 e 35 anos. Em muitos casos, há consumo de bebida alcoólica e ausência do uso do capacete, fatores que aumentam significativamente o risco de acidentes fatais.”

A gerente de Educação para o Trânsito, Samyra Mota, afirma que as campanhas educativas têm alcançado resultados positivos, mas ainda enfrentam resistência de parte da população.

Segundo ela, muitas pessoas ainda desvalorizam as orientações repassadas durante as ações de conscientização e só passam a compreender a importância da educação no trânsito quando vivenciam acidentes envolvendo familiares ou pessoas próximas.

Para a gestora, mudar essa cultura é um dos maiores desafios enfrentados pelos órgãos responsáveis pela segurança viária. Ela destaca que o respeito às leis de trânsito, aliado à prudência de motoristas, motociclistas e pedestres, é essencial para reduzir o número de vítimas e tornar o trânsito mais seguro.

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