Lula reage a Trump, cobra respeito e acionará OMC

Em resposta a críticas de Donald Trump, o presidente Lula pede “respeito”, anuncia a criação de um comitê de emergência e afirma que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quinta-feira (10), em entrevista à Record TV, que o Brasil vai acionar formalmente a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada na quarta-feira (9) pelo ex-presidente americano Donald Trump, que disputa novo mandato à Casa Branca.

Lula afirmou que a primeira medida será diplomática, com tentativa de negociação direta. Caso não haja avanço, o Brasil adotará contramedidas. “Se ele vai cobrar 50% de nós, nós vamos cobrar 50% dele”, disse.

A estratégia, segundo o presidente, será construída em articulação com outros países que também tenham sido afetados pela decisão americana. “Dentro da OMC, podemos reunir um grupo de nações que foram taxadas. Há um trâmite possível. Mas, se nada funcionar, aplicaremos a Lei da Reciprocidade”, completou.

Sancionada em abril deste ano, a Lei da Reciprocidade permite ao Brasil suspender benefícios comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual de países que adotem medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira.

Durante a entrevista, o presidente Lula também anunciou a criação de um comitê para avaliar os impactos da nova política tarifária dos Estados Unidos. O grupo será composto por representantes do governo e empresários que exportam para o mercado norte-americano.

“Não vou chamar de gabinete de crise, mas de um gabinete para repensar a política comercial brasileira com os EUA”, afirmou.

Lula garantiu apoio ao setor produtivo nacional e disse que o governo buscará alternativas para compensar possíveis perdas nas exportações para os Estados Unidos. Segundo ele, a ideia é ampliar a presença dos produtos brasileiros em outros mercados internacionais.

“Vamos ter que proteger o setor produtivo. Vamos procurar outros parceiros para comprar nossos produtos. O comércio com os EUA representa 1,7% do PIB. Não é algo que nos impeça de sobreviver. É claro que queremos vender, mas temos outras opções”, declarou o presidente.

Em um trecho da entrevista divulgado nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a forma como a carta do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi tornada pública. Segundo Lula, o documento chegou ao Brasil por meio do site oficial norte-americano antes mesmo de ser entregue de forma diplomática.

“Achei que a carta do presidente Trump era um material apócrifo. Não é comum que uma correspondência entre chefes de Estado seja enviada por meio de site oficial. O Brasil é um país que resolve tudo por meio do diálogo”, afirmou.

Lula também cobrou respeito do ex-presidente norte-americano e citou a longa trajetória das relações diplomáticas entre os dois países. “Temos 201 anos de relação com os Estados Unidos, uma relação diplomática sólida, que sempre foi benéfica para os dois lados. Sempre tive uma boa relação com presidentes como Clinton, Bush, Obama e Biden”, disse.

Sobre o conteúdo da carta, Lula contestou a alegação de desequilíbrio comercial entre os países. Ele destacou que os Estados Unidos têm registrado superávit comercial em relação ao Brasil há pelo menos 15 anos.

Ao ser questionado sobre a exigência de Trump para que o ex-presidente Jair Bolsonaro não seja julgado por tentativa de golpe de Estado, Lula reforçou a independência dos Poderes no Brasil. “O Judiciário é autônomo. Não interfiro nas decisões judiciais”, afirmou. “Trump pode tomar as decisões que quiser dentro dos Estados Unidos. No Brasil, quem decide são os brasileiros.”

O presidente ainda responsabilizou o ex-presidente Jair Bolsonaro pelas tensões comerciais, afirmando que ele apoia publicamente as medidas anunciadas por Trump. “O ex-presidente deveria assumir a responsabilidade. Ele está de acordo com a taxação. Inclusive, foi o filho dele que foi aos EUA influenciar Trump”, disse Lula, referindo-se ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente residindo no país norte-americano.

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