Lojistas denunciam abandono e queda nas vendas nos pisos superiores do Shopping da Cidade

O movimento reduzido e a dificuldade para atrair consumidores têm transformado a rotina de comerciantes dos pisos superiores do Shopping da Cidade, no Centro de Teresina. Lojistas ouvidos pela reportagem relatam queda nas vendas, fechamento de pontos comerciais e sensação de abandono por parte da administração do espaço, que, segundo eles, não tem investido em estratégias eficazes para levar clientes além do térreo e do primeiro andar.

A principal reclamação é o esvaziamento do fluxo de pessoas nas áreas mais altas do shopping, cenário que teria se agravado após a saída de serviços e empresas de grande circulação, como os Correios, a antiga Cepisa, o Detran e o Comercial Carvalho, que antes atraíam diariamente centenas de consumidores.

“Aqui é bem parado, bem diferente dos outros pisos. O pessoal não gosta muito de subir, mesmo tendo escada rolante e elevador”, afirma a empresária Ivoneide Esteves, que aponta o Dia das Mães como um dos poucos períodos de melhora nas vendas. Segundo ela, fora das datas comemorativas, o cenário é de corredores vazios e baixo faturamento.

Além da falta de clientes, permissionários denunciam ausência de incentivo institucional para divulgar os negócios localizados nos andares superiores. Conforme relatos feitos à reportagem, não haveria campanhas permanentes da gestão para estimular consumidores a circularem por todo o shopping.

Outro ponto de insatisfação envolve a publicidade interna. Comerciantes que preferiram não se identificar afirmam que anúncios no sistema de rádio do shopping exigem pagamento adicional, mesmo com a quitação regular de aluguéis e taxas de manutenção. Para os lojistas, a divulgação deveria fazer parte da estrutura oferecida aos permissionários, especialmente diante do enfraquecimento das vendas.

Fechamento de boxes e crise prolongada

O tatuador Kauerle Nascimento, que já manteve um ponto comercial no shopping, afirma que precisou encerrar as atividades após a redução da movimentação, intensificada no período pós-pandemia.

“No segundo piso deu uma parada muito grande. Algumas empresas fecharam, muitos boxes também. O movimento ficou mínimo”, relata.

Ele acredita que a administração precisa reposicionar a imagem dos andares superiores, mostrando ao público que há funcionamento regular e diversidade de serviços no local.

A empresária Letícia Lopes, há 15 anos no shopping, afirma que permanecer no espaço tem exigido esforço extra dos comerciantes, que passaram a depender de redes sociais, participação em eventos e divulgação própria para sobreviver.

“Se a gente depender só do movimento do shopping, não conseguiria se manter aberto”, diz.

Segundo ela, fatores como escadas rolantes sem funcionamento em alguns períodos e resistência de parte dos clientes em utilizar elevadores também impactam diretamente a circulação de pessoas nos pavimentos superiores.

Saída de serviços agravou esvaziamento

Para o joalheiro Jhon Lima, a retirada de órgãos e empresas que funcionavam no shopping afetou diretamente o fluxo de consumidores.

“Quando tinha Correios, Cepisa e Detran, vinha muita gente para cá. Depois que essas empresas saíram, caiu bastante o movimento”, afirma.

Ele defende o retorno de serviços de grande circulação ou a instalação de novos equipamentos que possam atrair novamente o público aos pisos superiores.

Enquanto aguardam medidas concretas, lojistas dizem enfrentar dificuldades para manter os negócios funcionando em meio ao baixo movimento. A expectativa dos permissionários é que a administração invista em campanhas de divulgação, eventos e estratégias de ocupação capazes de devolver visibilidade aos espaços menos movimentados do Shopping da Cidade.

A reportagem deixa o espaço aberto para manifestação da administração do Shopping da Cidade sobre as reclamações apresentadas pelos lojistas.

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