
O governo federal avalia que, neste momento, não há espaço para um diálogo efetivo com os Estados Unidos sobre as tarifas comerciais anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump. A percepção no Palácio do Planalto é de que o movimento não tem motivação econômica, e sim política, estando diretamente ligado ao cenário eleitoral brasileiro.
Fontes do alto escalão afirmam que não houve, até agora, qualquer sinal de disposição por parte do governo norte-americano para discutir uma solução razoável para o impasse. O entendimento interno é que a medida representa uma tentativa de interferência na política nacional, com o objetivo de fortalecer a base bolsonarista no Brasil, mirando as eleições presidenciais de 2026.
Nesse contexto, o Executivo brasileiro descarta qualquer tipo de concessão. Um exemplo citado por interlocutores do governo é o etanol: mesmo que o Brasil zerasse a tarifa de importação do produto americano, o gesto teria impacto nulo diante das tarifas de 50% anunciadas por Trump. Para o Planalto, a intenção não é corrigir desequilíbrios comerciais, mas impor um custo político ao governo brasileiro.
A orientação atual é não se antecipar às medidas que entram em vigor em 1º de agosto. O governo quer evitar uma reação impulsiva que possa ser explorada politicamente pela oposição. A estratégia, por enquanto, é seguir monitorando a situação e preparar uma resposta que possa ser adotada no momento mais apropriado.
Apesar das tensões, há a expectativa de que a iniciativa de Trump provoque um efeito contrário ao pretendido. Se setores ligados ao ex-presidente norte-americano perceberem que a medida resultou em isolamento político para o bolsonarismo, pode haver uma reavaliação do cenário.
No Palácio do Planalto, também se aposta na reação da sociedade brasileira. Embora não se espere mobilizações populares imediatas, o governo acredita que a punição coletiva ao país, com impactos diretos sobre empresas e produtos nacionais, tende a gerar indignação mesmo entre segmentos não alinhados à atual gestão. A avaliação é de que grande parte da população rejeita esse tipo de retaliação baseada em disputas envolvendo figuras específicas da política nacional.

