Fim da obrigatoriedade das autoescolas divide opiniões no Brasil

Empresários temem demissão em massa, enquanto governo defende redução de custos e maior acesso à habilitação | Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara/Reprodução
Setor de autoescolas teme prejuízos

O empresário Cássio Rezende Lima, dono da Autoescola Piu Piu, avalia que a medida ameaça milhares de empregos no país. Ele lembra que o setor é formado, em grande parte, por negócios familiares. Segundo Lima, somente no Piauí existem 141 autoescolas, que empregam cerca de mil pessoas. No Brasil, são mais de 15.700 empresas e aproximadamente 300 mil trabalhadores.

Ele acredita que a retirada da obrigatoriedade pode fechar estabelecimentos e provocar desemprego em massa. Além disso, alerta que o trânsito pode se tornar mais caótico sem o acompanhamento profissional.

Para o empresário, o valor alto das carteiras não resulta da atuação das autoescolas, mas das taxas impostas pelo governo. “Se reduzissem a burocracia e as cobranças, os custos cairiam naturalmente”, afirmou.

Governo defende ampliação do acesso

O governo Lula argumenta que a medida busca modernizar o processo de habilitação e facilitar o acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Hoje, tirar a carteira de moto ou carro custa, em média, R$ 3 mil e pode chegar a R$ 5 mil.

A proposta permite que o candidato escolha como se preparar, mas mantém a exigência dos exames teórico e prático, além das avaliações médicas. O Ministério dos Transportes garante que a mudança não compromete a segurança viária.

Consulta pública em andamento

O ministro Renan Filho destacou que outros países já adotam regras semelhantes. A consulta pública sobre o tema começou nesta quinta-feira (2) e ficará aberta por 30 dias na plataforma Participa + Brasil.

As categorias C, D e E, que incluem caminhões, ônibus e vans, não terão alterações. A mudança vale apenas para os motoristas das categorias A e B, que dirigem motos e carros.

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