
A disputa pelo Governo do Piauí entra em uma nova etapa após as convenções partidárias, com 11 nomes apresentados para concorrer ao Palácio de Karnak. Além das alianças e da força política de cada grupo, patrimônio declarado, financiamento eleitoral e despesas de campanha passam a ajudar a dimensionar a estrutura disponível para cada candidatura.
Foram apresentados pelas legendas Elizeu Aguiar (Novo), Francisco Jurity (DC), Geraldo Carvalho (PSTU), Gisvaldo Oliveira (PSOL), Gustavo Henrique (Avante), Joel Rodrigues (PP), Lúcia Santos (PSDB), Lourdes Melo (PCO), Ravenna Castro (Democrata), Rafael Fonteles (PT) e Santiago Belizário (UP).
A relação ainda pode sofrer alterações. Os partidos têm até 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral. A partir desses registros, também será possível acompanhar informações patrimoniais e, durante a campanha, receitas, despesas e fornecedores.
O financiamento será um dos pontos centrais da disputa. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha dispõe de cerca de R$ 4,96 bilhões nacionalmente em 2026. O dinheiro é distribuído entre os partidos, que definem internamente quanto será destinado aos candidatos. Assim, concorrentes ao mesmo cargo podem chegar à campanha com estruturas bastante diferentes.
Os candidatos também precisam informar seus bens à Justiça Eleitoral. As declarações permitem conhecer imóveis, veículos, aplicações e outros patrimônios informados, além de possibilitar comparações com eleições anteriores para aqueles que já disputaram cargos públicos.
Perfil dos candidatos
Elizeu Aguiar (Novo)
Tem trajetória política iniciada em Teresina. Foi eleito vereador em 2004, reeleito em 2008 e também exerceu mandato de deputado federal como suplente.
Francisco Jurity (DC)
Já foi secretário de Governo e subchefe da Casa Civil do Piauí. Presidiu a Agespisa, foi vereador de Parnaíba e atuou como suplente de deputado estadual.
Geraldo Carvalho (PSTU)
Tem atuação histórica no movimento sindical. Já esteve à frente do Sindicato dos Bancários do Piauí, integrou a direção do Andes-SN e preside o diretório municipal do PSTU em Teresina.
Gisvaldo Oliveira (PSOL)
É ligado ao movimento docente e integra a Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Piauí. Atua politicamente há mais de três décadas e disputa em 2026 sua primeira eleição.
Gustavo Henrique (Avante)
Já disputou uma vaga no Senado e concorreu a vereador de Teresina. Em 2022, foi candidato ao Governo do Piauí pelo Patriota. Sua candidatura em 2026 está inserida em uma disputa interna do Avante que ainda demanda definição da Justiça Eleitoral.
Joel Rodrigues (PP)
Foi vereador e quatro vezes prefeito de Floriano. Também exerceu mandato de deputado estadual e disputou o Senado em 2022. Atualmente preside o Progressistas no Piauí.
Lúcia Santos (PSDB)
Médica, preside o Sindicato dos Médicos do Piauí e já comandou a Federação Nacional dos Médicos. Também integra a Academia de Medicina do Piauí e disputou eleições anteriores para deputada federal.
Lourdes Melo (PCO)
Sindicalista e militante dos movimentos sociais e da educação. Veterana das urnas, disputou o Governo do Piauí em 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, além de concorrer à Prefeitura de Teresina.
Ravenna Castro (Democrata)
Começou sua trajetória eleitoral em 2018, concorrendo a deputada estadual. Disputou uma vaga na Câmara de Teresina em 2020 e foi candidata ao Governo do Piauí em 2022.
Rafael Fonteles (PT)
Governador do Piauí e candidato à reeleição. Antes de assumir o Palácio de Karnak, foi secretário estadual da Fazenda. Disputou seu primeiro cargo eletivo em 2022 e venceu a eleição para governador no primeiro turno.
Santiago Belizário (UP)
É liderança do Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e participou da fundação da Unidade Popular no Piauí. Tem atuação ligada à moradia e aos direitos dos trabalhadores. Em 2024, concorreu à Prefeitura de Teresina.
Avante tem situação indefinida
A composição da disputa ainda depende de uma definição envolvendo o Avante. Duas convenções partidárias produziram decisões distintas: uma apontou Gustavo Henrique para concorrer ao governo, enquanto outra indicou apoio a Elizeu Aguiar, do Novo. A validade dos atos deverá ser definida no âmbito eleitoral.
Com a formalização dos registros e o início das prestações de contas, será possível estabelecer uma radiografia financeira mais precisa da eleição, comparando patrimônio, recursos recebidos, despesas, fornecedores e tamanho das estruturas das campanhas.
Os números ajudarão a mostrar uma dimensão da eleição que nem sempre aparece nos palanques: candidatos disputam o mesmo cargo, mas podem começar a corrida pelo Governo do Piauí com condições financeiras e partidárias muito diferentes.
