
Um levantamento do instituto Datafolha aponta que parte significativa dos brasileiros que já ouviram falar das suspeitas envolvendo o caso do Banco Master acredita que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) possam ter ligação com o escândalo. Os dados foram divulgados na noite de segunda-feira (13).
Segundo a pesquisa, 55% dos entrevistados que disseram ter conhecimento do caso afirmaram acreditar na possibilidade de envolvimento de magistrados da Corte. Outros 10% disseram não saber avaliar se há ligação entre os ministros e o episódio, enquanto 4% afirmaram não acreditar nessa hipótese.
De acordo com o instituto, essas respostas representam cerca de 70% dos participantes que afirmaram ter tido algum tipo de contato com o tema, mesmo que apenas por ouvir falar. Por outro lado, 30% declararam não ter conhecimento sobre o assunto.
O levantamento foi realizado entre os dias 7 e 9 de abril, com 2.004 entrevistados em 137 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pesquisa também analisou a percepção do caso entre diferentes perfis de eleitores. Entre os que afirmaram intenção de votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 42% disseram acreditar no envolvimento de ministros do STF. Já entre os eleitores que indicaram preferência pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), esse número chega a 70%. Entre os que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum candidato, 48% disseram acreditar nessa possibilidade.
O caso do Banco Master passou a ganhar repercussão a partir do fim de 2025, quando a instituição foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, voltada à investigação de possíveis irregularidades.
Durante o andamento do caso, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do processo após reconhecer participação societária em uma empresa que havia negociado parte de um resort com fundos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O magistrado afirmou que não possui relação de amizade com o empresário.
Outro ponto citado nas discussões envolve o ministro Alexandre de Moraes. Documentos da Receita Federal indicam que o escritório da esposa dele recebeu pagamentos relacionados a contratos com o banco. Também surgiram questionamentos sobre supostas mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro, hipótese negada pelo magistrado.
Além deles, os ministros Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques também foram mencionados em relatos de viagens realizadas em aeronaves de uma empresa da qual Vorcaro era sócio.

