Uma formação geológica localizada em São Miguel do Tapuio, no interior do Piauí, foi oficialmente reconhecida por pesquisadores como uma cratera provocada pelo impacto de um meteoro. Com cerca de 21 quilômetros de diâmetro, a estrutura passa a ocupar o posto de segunda maior cratera de impacto da América do Sul.
A descoberta foi divulgada em uma revista científica internacional especializada em meteoritos e ciência planetária. Com a confirmação, o Brasil soma agora nove crateras de impacto reconhecidas oficialmente pela comunidade científica.
Os estudos sobre a área começaram ainda nos anos 1980, quando imagens de radar revelaram uma formação circular incomum na região. A presença de anéis internos e de uma elevação central despertou o interesse dos pesquisadores, já que essas características costumam estar associadas a crateras formadas por impactos cósmicos.
Mesmo assim, a comprovação científica levou décadas para ser concluída. O acesso difícil à região, marcada por relevo irregular e vegetação típica da Caatinga, dificultou o avanço das pesquisas de campo.
A confirmação definitiva veio após análises realizadas em amostras de rochas coletadas durante uma expedição científica. Os pesquisadores identificaram deformações microscópicas em cristais de quartzo, fenômeno causado apenas por pressões extremamente elevadas, como as geradas na colisão de meteoros com a superfície terrestre.
Além das análises laboratoriais, o estudo utilizou imagens de satélites europeus para mapear a topografia e compreender a estrutura da cratera. A idade exata da formação ainda é investigada, mas os cientistas estimam que o impacto tenha ocorrido há cerca de 159 milhões ou até 267 milhões de anos.
A maior cratera de impacto da América do Sul continua sendo o Domo de Araguainha, localizado entre Mato Grosso e Goiás, com aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro.
O trabalho científico reuniu pesquisadores de diferentes universidades brasileiras e foi coordenado pelo professor emérito da Universidade Estadual de Campinas, Alvaro Crósta.
