Brasil lança plano de transição energética e mira 81% de fontes renováveis até 2055

Lula em discurso sobre transição energética.

O Ministério de Minas e Energia (MM) lança nesta quarta-feira (29) o Plano Nacional de Transição Energética (Plante), iniciativa que vai orientar as ações do governo federal para transformar a matriz energética brasileira nas próximas décadas, com foco na ampliação das fontes renováveis e na redução das emissões de carbono.

Baseado em estudos do Plano Nacional de Energia (PNE), o Plante projeta que o Brasil poderá alcançar até 81% de participação de fontes renováveis em sua matriz energética até 2055. Atualmente, esse índice gira em torno de 52%. Embora o percentual não seja uma meta oficial, ele representa um dos cenários analisados pelo governo para o futuro do setor.

Três cenários para a transição energética

O plano foi estruturado com base em três possíveis trajetórias, considerando fatores como crescimento econômico, governança, acesso a financiamento e avanço tecnológico.

No cenário de Transição Continuada (TC), o país mantém o ritmo atual de mudanças, com crescimento moderado e avanços limitados em regulação e investimentos. Já a Transição Alongada (TA) prevê uma aceleração do processo, com fortalecimento da indústria, maior governança e possibilidade de alcançar a neutralidade de emissões no setor energético até 2050.

Por fim, o cenário Transição Net Zero 2050 (TNZ) é o mais ambicioso, alinhado aos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, com forte expansão de tecnologias de baixo carbono e mudanças estruturais na matriz.

Renováveis devem ganhar ainda mais espaço

As projeções indicam crescimento expressivo das energias renováveis até 2055. No cenário conservador, elas representariam 62% da matriz; no intermediário, 73%; e, no mais avançado, 81%.

Fontes como energia solar e eólica devem ampliar significativamente sua participação, enquanto a biomassa também tende a crescer, especialmente na produção de biocombustíveis e no uso industrial. Em contrapartida, combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, devem perder espaço ao longo das próximas décadas.

Investimentos e tecnologias estratégicas

O Plante não estabelece um valor único de investimentos, mas servirá como guia para direcionar recursos e políticas públicas. A proposta é sinalizar as áreas prioritárias e criar condições para atrair capital ao longo do tempo.

Entre as tecnologias consideradas essenciais estão a expansão da bioenergia, a eletrificação de setores como transporte e indústria, o desenvolvimento do hidrogênio de baixo carbono e o avanço de soluções de captura e armazenamento de carbono.

No cenário mais avançado, o setor energético brasileiro poderá até alcançar emissões líquidas negativas, compensando emissões residuais por meio da captura de carbono.

Desenvolvimento econômico e inclusão social

Além da agenda ambiental, o governo destaca que o plano busca fortalecer a segurança energética, aumentar a competitividade da economia e reduzir desigualdades sociais.

A estratégia também contempla medidas para combater a pobreza energética e ampliar o acesso da população à energia, consolidando a transição como um processo de desenvolvimento sustentável e inclusivo.

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