Bolsonarista Zezé Di Camargo tenta censurar Lula e Moraes e é cancelado no SBT

Foto: Ricardo Stuckert

O especial de Natal “É o Amor”, protagonizado pelo cantor sertanejo Zezé Di Camargo, foi retirado da programação do SBT após um pedido público do artista. A decisão da emissora ocorreu depois de manifestações do cantor contra a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em um evento institucional promovido pelo canal.

A controvérsia ganhou força após a participação das autoridades no lançamento de um novo projeto jornalístico da emissora. Incomodado com o episódio, Zezé Di Camargo publicou um vídeo nas redes sociais solicitando que o especial, já gravado e previsto para exibição em dezembro, fosse cancelado. No conteúdo, o cantor afirmou que não desejava associar sua imagem à emissora diante do que classificou como um distanciamento de seus valores pessoais.

Publicamente alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o artista deixou clara sua insatisfação com a condução do evento e afirmou que preferia que o programa não fosse levado ao ar. A manifestação repercutiu rapidamente e gerou reações divergentes entre apoiadores e críticos do cantor.

O pedido foi interpretado por parte do público como uma tentativa de interferência política na programação da emissora, uma vez que envolvia a retirada de um conteúdo artístico concluído em razão de discordâncias ideológicas. O especial contava com a participação de outros artistas e havia sido produzido como atração comemorativa de fim de ano.

Diante da repercussão, o SBT divulgou uma carta aberta assinada por sua presidente, Daniela Abravanel Beyruti. No comunicado, a emissora reafirmou o compromisso com um jornalismo institucional e plural, ressaltando que o projeto lançado buscou representar diferentes poderes da República. A empresa informou ainda que, após avaliação interna, optou por não exibir o especial, sem entrar em detalhes sobre os critérios adotados.

O programa, que seria exibido no dia 17 de dezembro, será substituído por outra atração ainda não anunciada. A decisão da emissora encerra um episódio marcado por pressão pública, divergências ideológicas e repercussão intensa nas redes sociais. O cancelamento de um programa já gravado, motivado por discordância política do artista, expôs o impacto direto que posicionamentos individuais podem ter sobre a grade de uma emissora e levantou questionamentos sobre até que ponto opiniões pessoais devem interferir em produções coletivas e decisões editoriais.

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