Valdeci Cavalcanti aponta risco econômico com nova jornada de trabalho

Valdeci Cavalcante

O presidente da Federação do Comércio do Estado do Piauí (Fecomércio-PI), Valdeci Cavalcanti, fez um alerta público sobre a situação econômica do estado, associando dados de emprego formal, alcance de programas sociais e uma proposta em discussão no Congresso Nacional que trata da redução da jornada de trabalho semanal.

Com base em números do IBGE, o dirigente afirmou que o Piauí possui cerca de 3,4 milhões de habitantes, dos quais aproximadamente 300 mil têm emprego com carteira assinada – o que representaria menos de 10% da população. Na avaliação apresentada, cerca de 3,1 milhões de pessoas estariam fora do mercado formal de trabalho.

Ao detalhar o cenário, Cavalcanti citou a abrangência de programas sociais no estado. Segundo ele, mais de 543 mil famílias recebem o Bolsa Família. Outros benefícios também foram mencionados, como cerca de 79 mil pessoas atendidas pelo Benefício de Prestação Continuada, além de aproximadamente 53 mil beneficiários do seguro-defeso.

O dirigente também destacou o alcance do programa educacional Pé-de-Meia, com mais de 105 mil estudantes, e do auxílio conhecido como Gás para o Povo, que, segundo ele, atende cerca de 424 mil famílias.

Na interpretação do presidente da Fecomércio-PI, esse conjunto de dados aponta para uma estrutura econômica em que uma parcela reduzida da população formalmente empregada sustenta, por meio da arrecadação de impostos, uma grande quantidade de beneficiários de programas sociais. Ele questiona a sustentabilidade desse modelo e o impacto sobre quem está no mercado formal.

O empresário também criticou uma proposta em tramitação no Congresso que prevê a adoção da jornada de trabalho no modelo 5×2 – cinco dias trabalhados e dois de descanso.

Segundo ele, embora a legislação atual estabeleça uma carga de 44 horas semanais, muitos setores já operam com acordos que concentram a jornada de segunda a sexta-feira, por meio de compensações e horas extras.

Para ilustrar o possível impacto da mudança, Cavalcanti citou um supermercado de seu grupo empresarial, localizado em um centro comercial, onde há 41 funcionários com custo médio mensal de cerca de R$ 6 mil por trabalhador. De acordo com sua projeção, a adoção do novo modelo elevaria esse custo para aproximadamente R$ 7.500 por empregado, um acréscimo de R$ 1.500.

Na avaliação dele, esse aumento tende a ser repassado ao consumidor final, com reajustes nos preços de produtos essenciais como arroz, feijão, carne, macarrão e ovos. O dirigente sustenta que a medida poderia pressionar o custo de vida da população, especialmente em um estado com renda média mais baixa.

Ao final da manifestação, Cavalcanti fez um apelo direto aos eleitores piauienses, pedindo atenção ao posicionamento de deputados e senadores sobre o tema. Ele defende que o debate sobre a jornada de trabalho precisa considerar os impactos econômicos regionais e afirma que decisões nesse campo podem influenciar diretamente o cotidiano da população.

O tema segue em discussão no país e envolve diferentes perspectivas – entre a necessidade de proteção social, a dinâmica do mercado de trabalho e os efeitos sobre empresas e consumidores.

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