
A Uefa, entidade máxima do futebol europeu, anunciou nesta quinta-feira (30) que suas 55 federações associadas boicotarão todas as competições organizadas pela Fifa.
A decisão, tomada em reunião virtual, visa pressionar a retirada de uma proposta para a criação de uma empresa com o objetivo de gerenciar os torneios da Fifa e vender participação acionária a investidores privados.
A Uefa declarou que nenhuma seleção europeia participará de eventos da Fifa até que a ideia seja completamente abandonada e garantias formais sejam apresentadas.
A medida pode impactar eventos de grande porte, incluindo a Copa do Mundo Feminina de 2027, programada para ocorrer no Brasil. A proposta da Fifa, apresentada na última terça-feira (28), detalha a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que seria responsável pela exploração comercial e organização dos principais torneios da entidade.
A iniciativa já recebeu críticas de outras confederações, como a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC), que juntas representam 143 das 211 associações nacionais filiadas à Fifa.
A Uefa classificou a proposta como “irresponsável e indefensável”, afirmando que a Copa do Mundo “não está à venda” e que a ideia foi elaborada sem consulta às federações, representando uma ameaça à governança do futebol mundial.
A entidade também criticou o que chamou de “ultimato” da Fifa, que estaria pressionando as federações a aceitar uma mudança estrutural irreversível. A Fifa estima que a FFE possa valer US$ 20 bilhões, com planos de vender US$ 4,2 bilhões em ações para aumentar os recursos distribuídos às federações, elevando o repasse de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por ciclo, conforme declarado pelo presidente Gianni Infantino.
A proposta ainda será votada pelas associações-membro e pelo Conselho da Fifa.
