
O anúncio de reajuste de 6,06% no plano de saúde do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Estado (IASP) provocou reação imediata do Sinte Piauí, que classificou o aumento como desproporcional e denunciou a precariedade do serviço ofertado aos usuários.
A presidente do sindicato, professora Paulina Almeida, afirma que o índice supera o reajuste salarial da maioria dos servidores estaduais, fixado em 5,6%, e chega a ser incompatível com a realidade dos educadores, que tiveram aumentos variando entre 5,6% e 9,6%. Segundo ela, a política de reajustes do IASP repete um padrão considerado abusivo, ao aplicar percentuais próximos ou superiores aos ganhos da categoria.
Além da crítica ao aumento, o sindicato aponta falhas estruturais no atendimento. No interior do estado, a ausência de médicos especialistas, exames e laboratórios compromete o acesso ao serviço. Já em Teresina, servidores relatam dificuldades para consultas especializadas e exames de maior complexidade, sendo frequentemente obrigados a pagar valores adicionais que variam de R$150 a R$500.
Outro ponto levantado é a recusa de clínicas, laboratórios e profissionais de saúde em atender pelo plano. De acordo com o sindicato, a justificativa envolve atrasos nos repasses e valores considerados baixos, o que tem reduzido a rede credenciada e ampliado o desgaste dos usuários.
Diante do cenário, o sindicato anunciou que votará contra o reajuste na reunião do conselho do IASP marcada para o dia 27, por meio de sua representante, a professora Filomena Cristina. A entidade defende que qualquer aumento deveria ser precedido de melhorias no serviço e de uma prestação de contas detalhada, sugerindo percentuais entre 1% e 2% caso houvesse justificativa técnica.
A mobilização inclui ainda um ato público na sede do instituto, com a participação de servidores de diferentes categorias, e a tentativa de abertura de diálogo com a gestão. Um pedido de audiência protocolado para o dia 9 não obteve resposta até o momento.
O sindicato também denuncia descontos considerados irregulares nos contracheques de servidores da educação, registrados nos últimos dois a três meses. Segundo a entidade, os valores são debitados sem autorização e sem explicação clara por parte do IASP ou da SEAD, o que levanta questionamentos sobre transparência e controle financeiro.
Em meio à insatisfação, o Sinte reforça o apelo por mobilização das categorias e cobra esclarecimentos públicos sobre a arrecadação e os gastos do plano. A entidade sustenta que os servidores já arcam com custos elevados e que o reajuste, nas condições atuais, amplia a sensação de desvalorização e insegurança.

