
A Prefeitura de União informou que sofreu um prejuízo superior a R$ 2,2 milhões após um ataque cibernético ou fraude que atingiu contas do município na Caixa Econômica Federal. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal e compromete recursos destinados principalmente à área da saúde. Em entrevista ao Portal Atualize, o prefeito Gustavo Medeiros informou que a administração já adotou medidas de contenção de despesas enquanto aguarda a conclusão das investigações e um posicionamento oficial da instituição financeira.
Segundo o prefeito, o problema começou a ser percebido na última sexta-feira, quando a prefeitura identificou instabilidade nas contas e dificuldades para realizar transferências bancárias. A Caixa Econômica Federal foi comunicada imediatamente, mas a dimensão do prejuízo só foi confirmada na segunda-feira, após a obtenção dos extratos bancários, que apontaram dezenas de movimentações financeiras não autorizadas.
Gustavo Medeiros informou que a fraude teve início após servidores da Secretaria Municipal de Saúde acessarem um link recebido por WhatsApp. A partir desse acesso, foram realizadas inúmeras transferências eletrônicas que resultaram no desvio de mais de R$ 2,2 milhões das contas do município.
De acordo com o prefeito, a Polícia Federal foi acionada logo após a confirmação do caso. Ele afirmou que a Caixa Econômica Federal solicitou um prazo de sete dias para concluir a apuração interna e apresentar um posicionamento oficial sobre o episódio.
Na entrevista, Gustavo Medeiros também declarou que, na avaliação da prefeitura, o problema está relacionado a uma vulnerabilidade no sistema da Caixa Econômica Federal e não se trata de um caso isolado. Como exemplo, citou um episódio semelhante registrado em uma prefeitura de Minas Gerais, onde, segundo ele, o prejuízo teria ultrapassado R$ 4 milhões.
O gestor afirmou ainda que foram identificadas situações que levantam questionamentos sobre os protocolos de segurança da instituição financeira. Segundo ele, foram autorizadas mais de 80 transferências consecutivas, embora o limite de segurança costume ser de cerca de 30 operações. Também teriam sido realizadas transferências de alto valor para contas não cadastradas, sem os procedimentos de verificação normalmente exigidos.
Segundo Gustavo Medeiros, os recursos desviados seriam utilizados para o custeio da saúde pública, incluindo a compra de medicamentos, a realização de exames especializados, como tomografias e ressonâncias, além de procedimentos e cirurgias.
Diante do prejuízo, a Prefeitura de União anunciou a redução de despesas em outras áreas da administração, o cancelamento ou a redução dos festejos tradicionais de São Raimundo Nonato, previstos para agosto, e o adiamento de novas obras.
Apesar das medidas de contenção, o prefeito ressaltou que a saúde continuará sendo prioridade da gestão e afirmou confiar que, após a conclusão das investigações da Polícia Federal e da apuração da Caixa Econômica Federal, o município seja ressarcido pelos valores desviados.
