Maioria dos brasileiros reprova celular para Bebês e crianças pequenas


Levantamento mostra que 52% aceitam celular próprio até os 12 anos

Uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva revela uma forte oposição da sociedade brasileira ao uso de celulares por crianças muito jovens. Dados divulgados nesta sexta-feira (9) indicam que 82% dos adultos são contrários à exposição de crianças de até três anos a esses dispositivos, enquanto apenas 15% expressam concordância.

Para a faixa etária de quatro a sete anos, a taxa de reprovação diminui para 75%. No entanto, a perspectiva muda quando se trata de posse de um aparelho próprio: 52% dos entrevistados admitem que uma criança pode ter seu próprio celular até os 12 anos de idade. A pesquisa, realizada com 1.367 pessoas entre 28 de setembro e 6 de outubro, antecede as comemorações do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro.

Em consonância com as preocupações levantadas, o Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais, lançado pelo governo federal no ano passado, recomenda que crianças menores de dois anos evitem telas de celular, com exceção de videochamadas com familiares. Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deste ano já apontavam uma queda no número de crianças de 10 a 13 anos com aparelhos próprios.

O estudo do Locomotiva também aborda a percepção dos adultos sobre as brincadeiras. Uma ampla maioria (88%) apoia o uso de celulares por adolescentes de 13 a 17 anos. Além disso, 83% dos adultos acreditam que as crianças contemporâneas preferem atividades digitais, como celulares e TV, em detrimento de brincadeiras ao ar livre.

Contudo, 73% reconhecem que brincar na rua é mais benéfico para o desenvolvimento infantil do que o tempo dedicado às telas. A legislação recente, como o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), reforça a supervisão parental, exigindo que menores de 16 anos tenham suas contas em redes sociais vinculadas às de responsáveis legais.

Em outra frente, a pesquisa do Instituto Locomotiva investigou a visão sobre brincadeiras sem distinção de gênero, com 63% dos brasileiros concordando que não existem brincadeiras de menino ou de menina. O presidente da entidade, Renato Meirelles, comentou que essa ideia já está consolidada na sociedade, mas ainda há um caminho a percorrer para que se torne prática.

Ele ressaltou a persistência de preconceitos, evidenciada pelo fato de 36% dos entrevistados considerarem inadequado que meninos brinquem de boneca ou meninas de carrinho, com uma reprovação mais acentuada entre os homens (46%) em comparação com as mulheres (27%).

Com informações de: AGBR

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