Investigado por suposta pirâmide financeira de R$ 600 milhões nega fuga e assume responsabilidade pela Xtreme

O trader Francisco das Chagas Chaves, conhecido como Chico, se pronunciou pela primeira vez desde que passou a ser investigado por suspeita de liderar um esquema de pirâmide financeira que, segundo a Polícia Civil do Piauí, movimentou mais de R$ 600 milhões e deixou prejuízos para mais de 300 investidores no Piauí e no Maranhão.

Em um vídeo gravado antes de se apresentar à polícia, Francisco negou que tenha ficado foragido da Justiça. Segundo ele, deixou Teresina por receio de sofrer represálias e ameaças após o início das investigações.

O investigado afirmou que, no começo da apuração, prestou depoimento de forma on-line ao delegado responsável e disse que permaneceu à disposição para prestar novos esclarecimentos por meio de seus advogados. Ele sustentou que decidiu se apresentar espontaneamente assim que tomou conhecimento da expedição dos mandados de prisão contra ele e sua namorada, Kayra Cardoso.

Durante o pronunciamento, Francisco também assumiu a responsabilidade pela gestão da Xtreme e afirmou que as demais pessoas investigadas não participavam das decisões da empresa. Segundo ele, todas as operações e a administração da empresa eram de sua responsabilidade e, caso a Xtreme tenha falido, a responsabilidade seria exclusivamente dele.

O trader também negou qualquer envolvimento da namorada, Kayra Cardoso, nas atividades da empresa. Ela é investigada no caso e é considerada foragida pela Polícia Civil, que solicitou a inclusão do nome dela na difusão vermelha da Interpol.

Além disso, Francisco afirmou que os colaboradores presos durante a investigação não tinham participação na gestão da empresa. Segundo ele, ambos apenas confiavam no trabalho desenvolvido pela Xtreme e não tinham responsabilidade sobre a administração do negócio.

No vídeo, o trader contestou a tese da Polícia Civil de que a empresa funcionava como um esquema de pirâmide financeira. De acordo com sua versão, o caso se trata de uma falência empresarial, circunstância que, segundo ele, será esclarecida ao longo das investigações.

Francisco das Chagas foi preso no dia 22 de julho, após se apresentar na sede do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), em Teresina.

De acordo com a Polícia Civil, a Xtreme captava recursos de investidores com a promessa de aplicar os valores na Bolsa de Valores brasileira, oferecendo rentabilidade de até 10% ao mês. As investigações apontam que, em 2025, a empresa deixou de honrar os pagamentos prometidos e o trader desapareceu, provocando prejuízos milionários aos investidores.

Em depoimento prestado à Polícia Civil, Francisco afirmou que todo o dinheiro investido pelos clientes foi perdido em operações na Bolsa de Valores e declarou que não há perspectiva de ressarcimento das vítimas.

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