
Um grupo de veículos de imprensa independentes publicou um editorial conjunto em defesa da democracia e do direito fundamental do cidadão ao acesso à informação de qualidade. A manifestação surge em resposta a crescentes ataques ao jornalismo e a alertas sobre os perigos que a liberdade de expressão enfrenta no Brasil.
O documento ressalta que um ambiente informativo íntegro, onde notícias confiáveis, verificáveis e diversas circulem sem barreiras, é crucial para a saúde democrática. O jornalismo, segundo a publicação, desempenha um papel insubstituível ao investigar corrupção, abusos de poder e violações de direitos, fornecendo à sociedade as evidências necessárias para a compreensão da realidade, a cobrança de responsabilidades e a amplificação de vozes marginalizadas.
O editorial direciona críticas específicas às propostas de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência. A publicação evoca o período do mandato de Jair Bolsonaro, pai do candidato, como um tempo de “horror da repressão” para o jornalismo, relembrando as agressões verbais e intimidações direcionadas a profissionais da área.
Dados alarmantes reforçam essa narrativa: entre 2019 e 2022, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) contabilizou 1.442 incidentes de violência contra jornalistas e ataques à imprensa, um aumento expressivo em comparação com os anos anteriores.
Em 2022, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) registrou 557 alertas de violações à liberdade de imprensa, sendo que mais de 40% deles envolviam membros da família Bolsonaro.
As organizações signatárias do editorial veem em Flávio Bolsonaro a tendência de repetir os ataques à imprensa e à democracia, especialmente com suas prioridades declaradas, como a libertação de seu pai e a possibilidade de alterações constitucionais.
“O fato de não ser tão verborrágico e agressivo quanto o pai não faz com que seus atos se tornem menos graves”, alertam, enfatizando a gravidade de um grupo político que questiona a legitimidade eleitoral e busca reformar instituições de fiscalização. Para os veículos, a erosão do trabalho jornalístico compromete a capacidade da sociedade de fiscalizar o poder e de exigir responsabilização.
Uma imprensa livre, por sua vez, depende de instituições robustas que garantam direitos, protejam profissionais e assegurem o acesso à informação pública. A campanha de Flávio Bolsonaro foi contatada pela Agência Brasil, mas não se manifestou até o momento. O espaço permanece aberto para comentários.
Em evento recente no Rio de Janeiro, o candidato afirmou que garantiria a liberdade de imprensa caso eleito, defendendo o direito de crítica ao governo. Anteriormente, a campanha acionou o TSE para suspender 221 postagens, alegando desinformação, e classificou tal medida como não sendo censura.
Com informações de: AGBR
