
No sertão, onde a chuva é sinônimo de esperança e a água representa vida, cada centímetro a mais nos reservatórios é acompanhado com atenção, fé e expectativa.
Em Francisco Macedo, a Barragem do Estreito volta a ser o centro das atenções da população, especialmente do homem do campo, que enxerga no aumento do volume de água a renovação das esperanças por dias melhores.
Com as chuvas intensas registradas nos últimos dias, o nível da barragem segue em elevação constante. Nesta terça-feira, 07 de abril, moradores locais relataram que faltavam poucos centímetros para que o reservatório atingisse sua capacidade máxima e voltasse a sangrar, um momento aguardado com ansiedade por toda a região.
O cenário já revela sinais claros desse possível transbordamento. A força dos ventos tem formado marolas na superfície da água, que avançam em direção ao sangradouro, desenhando um quadro que anuncia a proximidade de um novo sangramento.
O aumento do volume hídrico é resultado direto da contribuição contínua de diversos afluentes. O rio Curimatá, os riachos Areal, que recebe águas do riacho da Manga e o Turdi seguem desaguando na barragem de forma intensa, dia e noite. Soma-se a isso o sangramento de pelo menos quatro açudes da região, cujas águas também correm em direção ao reservatório, reforçando ainda mais o seu nível.
Construída há cerca de 19 anos e com aproximadamente 7 quilômetros de extensão, a Barragem do Estreito é uma das principais estruturas hídricas do território. Além de sua importância para o equilíbrio ambiental, o reservatório desempenha papel essencial no abastecimento de municípios vizinhos, como Padre Marcos e Belém do Piauí, sendo também ponto de lazer e encontro para a população.
Caso o sangramento se confirme, este será o quinto registro desde a sua construção. O primeiro ocorreu em 2008, logo após a entrega da obra, seguido por um novo episódio em 2011. Mais recentemente, a barragem voltou a sangrar nos anos de 2020 e 2024, sempre marcando períodos de inverno rigoroso e de boas perspectivas para o homem do campo.

Fonte: Cidades na Net

