
As chuvas no Piauí devem sofrer um pequeno atraso por conta da atuação do fenômeno El Niño. O alerta foi feito pelo diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Estado, Werton Costa, em entrevista ao podcast Dando Pitaco, que explicou como o aquecimento das águas do Oceano Pacífico interfere diretamente no regime de chuvas no Nordeste brasileiro.
Segundo Werton Costa, o El Niño é um dos fenômenos climáticos mais estudados pela ciência e tem sido observado há séculos.
“O El Niño é um fenômeno climático mais estudado da história humana. A ciência se debruça sobre ele há praticamente décadas ou séculos e ele foi descoberto ainda no período das navegações, no final do século XVI.”
O diretor explicou que o fenômeno é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, especialmente na costa do Peru, alterando a circulação atmosférica e influenciando a formação das chuvas em diferentes regiões da América do Sul.
Ao detalhar os impactos, Werton Costa afirmou que o El Niño provoca um desequilíbrio na distribuição das chuvas pelo continente.
“Quando essas águas esquentam, ela cria um efeito gangorra. As chuvas se formam de um lado da América do Sul e, do outro lado, que é justamente o Nordeste, as chuvas diminuem.”
De acordo com o diretor, essa redução das precipitações pode gerar reflexos na economia e na população, exigindo atenção dos órgãos públicos.
“É um fenômeno que, infelizmente, traz muitos problemas econômicos e sociais e que a gente vai enfrentar esse ano, 2026 para 2027.”
Além do atraso das chuvas, Werton Costa defendeu a adoção de políticas públicas para amenizar os efeitos do calor intenso, especialmente em Teresina. Segundo ele, a cidade precisa recuperar áreas verdes e criar espaços públicos de resfriamento para oferecer mais conforto à população durante os períodos de temperaturas elevadas.
“Hoje, por exemplo, a gente tem que resgatar não apenas as áreas verdes, como a gente tem que criar áreas de aclimatação, áreas de resfriamento. Teresina precisa de políticas públicas de enfrentamento do calor. A gente tem que ter ambientes em Teresina que, se você estiver sentindo que a qualquer momento vai passar mal, você entre naquele ambiente que tem uma climatização não agressiva, que tem uma água ali. Nós precisamos criar ambientes assim.”
