
Uma pesquisa nacional revelou que a maior parte das famílias brasileiras enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento. Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621, a sensação de aperto financeiro é mais intensa entre os trabalhadores de menor renda.
Entre os brasileiros que recebem até dois salários mínimos, 73% afirmam que o rendimento mensal não é suficiente para cobrir as despesas. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, esse percentual é de 49%. Já entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, 32% relatam dificuldades para manter as contas em dia.
O levantamento também mostra que 45% dos entrevistados buscaram alternativas para complementar a renda nos últimos meses. A procura por fontes extras de receita é mais frequente entre pessoas com maior escolaridade, enquanto entre aqueles com ensino fundamental esse movimento é menor, em razão da presença significativa de aposentados, donas de casa e pessoas fora do mercado de trabalho.
Além disso, quatro em cada dez brasileiros relataram redução na renda familiar recentemente. O impacto foi mais expressivo entre pessoas de 35 a 44 anos, faixa etária em que 49% disseram ter registrado queda nos rendimentos. Já os jovens entre 16 e 24 anos foram os que menos perceberam alterações.
O cenário econômico também se reflete no endividamento das famílias. Em março de 2026, 80,4% dos lares brasileiros possuíam algum tipo de dívida, o maior índice desde o início da série histórica, em 2010, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 117 municípios brasileiros, nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

