
Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp desenvolveram uma inovação que pode revolucionar o tratamento de feridas: um curativo líquido biocompatível, seguro e ambientalmente amigável. A tecnologia, que forma uma película protetora transparente sobre o machucado em menos de 45 segundos, elimina a necessidade de gazes, esparadrapos ou adesivos tradicionais, prometendo acelerar a recuperação natural em até 50% e reduzir o desconforto para os pacientes.
O novo curativo utiliza um polímero de alta biocompatibilidade e um sistema exclusivo de solventes renováveis e atóxicos. Ao ser aplicado, o líquido seca rapidamente, criando uma estrutura tridimensional que auxilia na regeneração celular. O próprio organismo metaboliza o polímero, dispensando a remoção manual e evitando o incômodo e o risco de lesar o tecido em formação, comuns com curativos convencionais.
“O grande atrativo da tecnologia é que ela pode levar a um novo método de cobertura da ferida sem haver nenhum toque nela”, explica Rubens Maciel Filho, coordenador da pesquisa. A transparentividade da película permite o acompanhamento da cicatrização sem a necessidade de trocas constantes, e sua impermeabilidade possibilita que o paciente tome banho sem preocupações.
A inovação também se destaca pela redução do risco de contaminação cruzada, já que dispensa o uso de tesouras e materiais que geram resíduos biológicos. A tecnologia demonstrou potencial para uso na saúde animal, resolvendo problemas como a remoção de curativos por animais.
A pesquisa, que rendeu o Prêmio Inventores Unicamp em 2024, foi licenciada para a Dermbio Biotech, uma spin-off acadêmica da Unicamp, que agora avança nas etapas regulatórias junto à Anvisa e na estruturação comercial. Além do uso terapêutico, a invenção pode ser aplicada em dermocosméticos, recobrimento de implantes e liberação controlada de medicamentos.
Com informações de: o Globo
