Criptomoedas em troca de apoio a candidato: esquema levanta suspeitas

Campanha nega envolvimento e coligação de Lula denuncia esquema à PGE

Um novo esquema que oferece criptomoedas em troca de postagens de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, começou a circular online esta semana. O site em questão promete a distribuição de tokens digitais para usuários que compartilharem mensagens favoráveis ao candidato. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a iniciativa se descreve como um movimento que combina apoio ao “voto 22” com a arrecadação de fundos para um grupo de crianças e adolescentes de Uganda chamado Hyperkids, que se apresenta com quase 13 milhões de seguidores em plataformas digitais.

Em vídeos associados ao projeto, as crianças mencionam a existência de um “novo token” com o objetivo de “ajudar o Brasil”, citando nominalmente o deputado Nikolas Ferreira, o candidato Flávio Bolsonaro e o empresário Pablo Marçal.

No entanto, a legislação eleitoral brasileira, especificamente o Artigo 57-C da Lei das Eleições, proíbe propaganda eleitoral paga na internet, permitindo apenas o impulsionamento de conteúdos por candidatos, partidos e coligações, desde que devidamente identificado.

Especialistas como Paulo Rená, do Instituto de Referência em Internet e Sociedade, apontam para a ilegalidade da ação, argumentando que a promessa de vantagem econômica vinculada a uma campanha eleitoral pode configurar uma tentativa de burlar a fiscalização eleitoral.

O site da criptomoeda afirma que a distribuição de tokens é independente de voto ou preferência eleitoral e que o projeto não possui vínculo oficial com nenhum político ou campanha. Por outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro declarou desconhecer a autoria do site e anunciou que tomará medidas judiciais para removê-lo, negando qualquer contratação de perfis para divulgação.

Paralelamente, a Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou uma denúncia à Procuradoria-Geral Eleitoral sobre a distribuição de ativos virtuais em troca de propaganda política, solicitando a investigação de possíveis crimes eleitorais.

Com informações de: AGBR

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