
Três cães-selvagens machos realizaram uma jornada notável de 4.126 quilômetros pela Zâmbia, estabelecendo um novo recorde de distância percorrida em busca de parceiras reprodutivas. A expedição, que se estendeu por um período considerável, levou os animais a explorar diversas áreas, incluindo proximidades de cidades como Kabwe, Kitwe e Ndola. O comportamento dinâmico dos cães, com mudanças de rota e até mesmo retrocessos, contribuiu para a extensão da viagem, que em linha reta seria de 419 quilômetros.
Durante essa longa odisseia, os machos encontraram um grupo de quatro fêmeas em setembro de 2025. O encontro ocorreu fora de zonas de conservação, após os machos terem percorrido 1.203 km e as fêmeas 1.404 km de suas áreas de origem. Scott Creel, autor principal do estudo da Universidade Estadual de Montana, explicou à revista Science que a busca incessante por oportunidades de reprodução é o principal impulsionador desses deslocamentos extensos.
A pesquisa, que monitorou um total de 9.863 quilômetros de movimentação entre os animais, também alertou para os perigos enfrentados pelos cães-selvagens fora de áreas protegidas. A perda de sinal de duas fêmeas rastreadas gerou preocupação, com indícios de que uma delas pode ter caído em uma armadilha.
O estudo ressalta a importância de áreas naturais interligadas para a sobrevivência da espécie, uma vez que os animais frequentemente cruzam territórios com alta atividade humana, aumentando os riscos de perda de habitat, doenças e mortalidade.
Apesar da mobilidade impressionante, a conectividade genética e demográfica entre as populações permanece limitada, evidenciando que longas distâncias não garantem a união de diferentes grupos. Matt Becker, coautor do estudo e diretor-executivo do Programa de Carnívoros da Zâmbia, destacou que essas jornadas revelam as conexões naturais entre ecossistemas cruciais na África, reforçando a necessidade de corredores ecológicos.
Com informações de: PORTAL-IG
