Bets movimentavam R$ 650 milhões diários com quase 100 milhões de contas no Brasil

Os 188 sites autorizados antes da MP estão fora do ar e outros 13.241 ilegais foram encaminhados para bloqueio, diz a Secretaria de Prêmios e Apostas

Antes da proibição oficial das apostas esportivas no Brasil, as plataformas de apostas, conhecidas como ‘bets’, registravam um faturamento diário estimado em R$ 650 milhões.

Esses sites chegaram a reunir uma base de quase 100 milhões de contas de usuários. Os dados foram divulgados pelo portal ICL na terça-feira, 6 de fevereiro, marcando o primeiro dia de inatividade das plataformas que operavam legalmente no país.

A suspensão das atividades e a indisponibilidade dos sites e aplicativos seguem a determinação da Medida Provisória nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro, que veda a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas em território nacional.

O Governo Federal confirmou que os 188 sites de apostas com licença para operar no Brasil foram retirados do ar. O prazo para que os apostadores resgatassem seus saldos voluntariamente encerrou-se na segunda-feira, 5 de fevereiro, às 23h59.

No entanto, um montante de R$ 1,325 bilhão ainda permanece nas plataformas, com aproximadamente 26,5 milhões de apostadores com valores a serem devolvidos, conforme boletim da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

A pasta aponta que a grande quantidade de contas com valores ínfimos pode ter influenciado o ritmo de retirada. Cerca de 86,2 milhões de contas possuíam entre R$ 0,01 e R$ 0,99, totalizando R$ 15,5 milhões. É importante notar que uma mesma pessoa pode deter contas em múltiplas plataformas, o que explica a diferença entre o número de contas e o de apostadores.

As empresas do setor terão até quarta-feira, 7 de fevereiro, para enviar aos bancos os saldos remanescentes de cada apostador, detalhados por CPF e pela conta bancária original utilizada para depósito.

Posteriormente, entre sexta-feira, 9 de fevereiro, e a próxima quarta-feira, 14 de fevereiro, as instituições financeiras serão responsáveis por efetuar as devoluções dos valores aos respectivos apostadores. O impacto financeiro da medida é significativo: a receita diária de R$ 650 milhões antes da proibição representa uma perda de R$ 6,5 bilhões em apostas em um período de dez dias, o que, segundo o governo, equivaleria a 8 milhões de cestas básicas.

Entre as quase 100 milhões de contas, 15 continham mais de R$ 1 milhão, 32 entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, e 399 entre R$ 100 mil e R$ 500 mil. Contas com valores elevados serão investigadas pela Polícia Federal para apurar possíveis casos de lavagem de dinheiro e conexões com o crime organizado, como parte dos esforços de combate ao financiamento de atividades ilícitas.

Paralelamente à suspensão das operações legais, o governo intensificou o combate a plataformas ilegais. Entre 25 de setembro e 6 de outubro, 13.241 sites irregulares foram encaminhados para bloqueio, com uma média diária de 1.103 solicitações. Adicionalmente, foram requisitadas remoções de 3.552 conteúdos em redes sociais e aplicativos de mensagem, incluindo páginas, perfis, canais e grupos, que somados alcançavam cerca de 17,2 milhões de usuários.

Com informações de: PORTAL-IG

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