Arrecadação de multas cresce, mas trânsito segue caótico em Teresina

A atuação da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito tem ampliado a arrecadação com multas, mas não tem conseguido reduzir os problemas no trânsito da capital. Dados apontam que, apenas em 2025, foram registradas mais de 152 mil autuações por meio de câmeras e cerca de R$ 55 milhões arrecadados, sem impacto proporcional na segurança viária.

Mesmo com o reforço da fiscalização eletrônica e das blitz, a cidade continua enfrentando um cenário de desordem e risco. A principal infração segue sendo o uso irregular de faixas exclusivas, indicando repetição de comportamento por parte dos condutores e baixa efetividade das penalidades como instrumento educativo.

Levantamentos mostram ainda a realização de quase 12 mil abordagens presenciais, somadas ao monitoramento por câmeras espalhadas pela cidade. O volume revela um sistema eficiente na identificação de infrações, mas com dificuldade em prevenir condutas irregulares no dia a dia.

Na prática, especialistas e observadores apontam que parte dos motoristas passou a encarar a multa como custo tolerável, e não como fator de mudança de comportamento. O resultado é um ciclo em que a punição existe, mas não altera a lógica do trânsito.

Outro ponto que entra no debate é o destino dos recursos arrecadados. Os R$ 55 milhões obtidos com multas levantam questionamentos sobre a aplicação desses valores, especialmente diante da permanência de problemas estruturais e da ausência de avanços significativos em educação para o trânsito.

Enquanto isso, a população convive com um sistema que arrecada mais, mas entrega pouco em termos de organização e segurança. A discussão, cada vez mais presente, gira em torno da necessidade de equilibrar fiscalização com políticas educativas e intervenções que, de fato, modifiquem o comportamento nas vias.

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